sexta-feira, 6 de maio de 2011

Porcos Famintos


Alimentados por cérebros comestíveis,
Os espíritos são digeridos em instantes.
Cabeças inocentes serão servidas no banquete,
Carnes vivas estarão no cardápio macabro.
Garfos e facas perfuram e cortam as fatias de vida,
Pratos continuam cobertos de sopa de sangue.
A mesa está preparada para o ritual satânico,
Várias taças brindam a luxúria nobre.
Será servido um vinho impuro de sabor amargo,
Capaz de saciar a sede de vingança.
As migalhas serão devoradas pelos ratos do subúrbio,
Enquanto as tripas envenenadas serão expostas aos corvos.
Os estômagos estão empanturrados de lavagem industrial,
Guloseimas decompõem os organismos imundos.
O caldeirão está repleto de ossso podres,
A refeição foi preparada com doses de ganância.
Vômitos se espalham pelo chão raso,
Misturando-se com a saliva escura.
O instinto cruel prevalece sobre essas almas ocas,
Sua fome é compensada com virtudes banais,
Triturando os rastros de lembranças existentes.

Auto-Suicídio


Os vestígios de vida que sustentavam a minha alma,
Foram consumidos pelos espíritos invejosos.
O meu corpo está deformando-se aos poucos,
Diante aos olhares falsos que me cercam.
Eles apreciam meu sofrimento na platéia dos ridículos,
Aplaudem como se fossem marionetes macabras.
Ouço sempre as mesmas vozes que perturbam meu sono obscuro,
Incentivando-me a pular em um abismo de ilusões.
São carrascos cruéis que esperam seu grande momento de glória,
Decapitando-me como forma de demonstrar o verdadeiro sistema,
Que induz ao processo de destruição incondicional.
Percebo agora minhas mãos lambuzadas de sangue,
E os suspiros de alívio que compõem minha angústia.
Construo barreiras rígidas para manter meus princípios intactos,
Mas minha atitudes continuam presas as correntes sombrias.
O vento venenoso percorre minhas narinas,
Enquanto o sabor da morte toca os meus lábios.
Estilhaços de vidro perfuram minha garganta,
Meus olhos estão cobertos por marés de lágrimas.
Carrego uma lápide fria dentro do meu coração,
A paixão proibida me conduz esse desafeto emocional.
Tenho como companhia as lembranças que quero esquecer,
Momentos que se dissolveram no passar do tempo.
Minha alma ainda permanece manchada,
Marcada pelas cicatrizes que nunca se curaram.
Procuro as respostas onde não existem perguntas,
Vivo uma loucura alienada sem fim,
Despertando um ser suicida dentro de mim.