quinta-feira, 22 de junho de 2017

Palavrar


As palavras comeram meus dedos
E deixaram minhas mãos ásperas
Para fazer aquele: poema enxuto
No fluir da contramão dos passos
Que vai > atropelando cada verso
Até chegar num caminho estreito
Onde ninguém perpassa sua alma.

As palavras falaram pelo meu silêncio
E reforçaram minha fraqueza poética
Que se delimita a um corpo atrofiado
Em terno e gravata, feito sob medida
Para o próximo funeral de minha fala
Que recita as últimas linhas tortuosas
Desta vida principiada, no dito e cujo
...

terça-feira, 20 de junho de 2017

Aborrecência


Eu:
Pele ossuda -
Cravos e espinhas -
Digo pela minha poesia -
Que a adolescência é nossa idade das trevas.

Quem nunca teve:
Seu cabelo tão esquisito -
Suas roupas um tanto estranhas -
Não sabe a transição que se faz versos.

De escrever nas paredes:
Que ama, que odeia!
Que quer fugir de casa! Mas que está ali também!
Present(r)e, passado(r), fu(r)turo...

Logo:
Não sobram faltas -
Não faltam sobras -
De um corpo-disciplina -
Pelo doce veneno da puberdade.