Pode parece aquelas modéstias fúteis
Mas me admito como um poeta irreconhecível
Daqueles que perambulam as ruas de forma tão discreta
Que até incomoda, por se tratar de tantos poemas no anonimato.
Vida esta que é qualquer, para um poeta que faz pouco caso
Das manchetes que noticiam a tragédia da humanidade
Seja por meio de poesia (de preferência duvidosa)
Ou mesmo do mau-caratismo vérsico.
Eu por exemplo, nunca fiz questão de ser assim:
Poeta de classe mutantizada que mal se reconhece em si
E muito menos nos ditos e cujos que leem tais porcarias literatas
Em alma e fogo, como fagulha na mente de quem menos exterioriza.
A poesia só existe porque há aqueles que preferem silenciar todo o caos
Mesmo que isso lhe custe irrelevância e até mesmo, esquecimentos
Que podem ser lembrados de uma hora para outra
Sem a devida licença poética que almejamos.
Ser esse poeta irreconhecível se torna até um alívio
Principalmente quando não somos incomodados pelos nossos próprios demônios
Que vira e mexe estão aí para protagonizar os sentimentos mais mesquinhos do homem
De escrever por linhas tortas e se achar Deus, quando faz da palavra um princípio de fé feia.