sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Por trás do cárcere

 


De olhos em outros
Há vida nesse raso.
Com muros livres
Quem pula o altar?
Tampouco é muito
Para quem desanda
Toda lenta história
Que acaba ao sorrir.

Pra quem vale toda saudade...



O amor vive nos detalhes
E em cada dia construído,
Como se cada um de nós
Fosse um pedacinho lento
Mas que refaz tudo eterno.

O beijo que sempre espera
Aquela pessoa tão estrelada,
Brilha sob o sono tranquilo
E afugenta os medos bobos
De quem destina seu melhor
Em toda simplicidade de ser.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Poesia de Anti-ontem



Já lutei tanto em mim
Cada quebra-cabeça
De peça e prece a sós.

Só hoje então subscrevo
Esse passado dito morno,
Sob o sangue-terra afinco
Que há de comer por medo
Meus passos e seus pesos.

E assim, sigo tal leveza em choro
Limpando todo cascalho pela pele
Para ode dos viventes à prévia morte.

quarta-feira, 18 de março de 2020

E se foi-ce você?


E se foice você
Como um corte
Ou outra sorte
Que a vida rasga
Esta alma gasta
De tanto morrer
No próximo ser.

Meus pés inchados
Chatos, de tanto ir
Sem lugar de volta
Esquecendo a hora
Que um dia irá partir
Em mim ainda fraco.

E se foice você?
Lâmina na carne
Dois gumes e só
Para sarar teu nó
Em nós em partes
Talhadas pra ver.

Sangue pelo chão
Teu rosto na mão
De quem já foice
Partida e afiada
Dor estancada
Tanta mesmice.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O poeta irreconhecível


Pode parece aquelas modéstias fúteis
Mas me admito como um poeta irreconhecível
Daqueles que perambulam as ruas de forma tão discreta
Que até incomoda, por se tratar de tantos poemas no anonimato.

Vida esta que é qualquer, para um poeta que faz pouco caso
Das manchetes que noticiam a tragédia da humanidade
Seja por meio de poesia (de preferência duvidosa)
Ou mesmo do mau-caratismo vérsico.

Eu por exemplo, nunca fiz questão de ser assim:
Poeta de classe mutantizada que mal se reconhece em si
E muito menos nos ditos e cujos que leem tais porcarias literatas
Em alma e fogo, como fagulha na mente de quem menos exterioriza.

A poesia só existe porque há aqueles que preferem silenciar todo o caos
Mesmo que isso lhe custe irrelevância e até mesmo, esquecimentos
Que podem ser lembrados de uma hora para outra
Sem a devida licença poética que almejamos.

Ser esse poeta irreconhecível se torna até um alívio
Principalmente quando não somos incomodados pelos nossos próprios demônios
Que vira e mexe estão aí para protagonizar os sentimentos mais mesquinhos do homem
De escrever por linhas tortas e se achar Deus, quando faz da palavra um princípio de fé feia.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Re legion


Para todo sentimento que se esvai
Volta a toda e qualquer lamúria
Que impregna em corpo e pele.

Há tão pouca gente tateando
Os deslizes necessários
As faltas ressentidas.

Num espaço morto
Vida e obra oblíqua
Perpendiculando tal alma
Deste destino já perdido.