segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sim fônico


Que te caiba uma escuridão
De outra noite mal dormida
Enquanto te sonho já morta.
E não há cadáver mais belo
Quando me debruço no frio
Algo que reluz com o amor
Onde não mais sinto por ti.
Como se um beijo apagasse
A sombra que tanto adentra
No meu ser de pouca carne,
Alguém quase tão insalubre
Que saboreia a própria alma.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Furturo


Você que lê poesia de ontem
Por que não escreve uma sua?
Pois de todo poeta tão repetido
Me cansa a palavra até a morte.
Tudo hoje é novo, feito de novo
O poeta de antes já diz por mim
Aquilo que meu poema escreve:
Quase do mesmo, ou só amanhã.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Geometria dos corpos


Arredonda teus olhos
Para ver além de mim
O que seca a lágrima.
Meu amor encolheu
Murcho no coração
Que de tão apertado
Sofrerá até amanhã.
Se a cada passo seu
Onde segue o chão
E diz que não volta
Por que anda tão só
Mesmo quando voa?
Vai pra longe e outro
Sem adentrar de fato
No mal que seria eu.
Deus nos fez assim
Para que a fé doesse
Entre tantos pecados
Em que amar é o pior.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Obrigado por me matar!


Morre porque é vivo
Enterro algo de mim
Onde o próprio peito
Que um dia já sentiu
Os sonhos e os beijos
Dos quais são outros
Em alguém e sem eu.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Curriculum Vitae


E se me cabe o vazio
Só resta então sobrar.
Eu existo sem querer
E Deus me fez assim,
Amor por toda carne
Para que não esqueça
Ou que sou: pronome.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

El Eu!


Quanto mais poeta
Quando tem tempo
Enquanto não sinto
Portanto se escreve.
Algo que me retém
Algum outro afinal
Alguém e eu tão só.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Amxr


O amor morreu
De mim até Eu
E não prometeu
Voltar a ser seu
Algo que é meu.

Amo para quem
Se sou ninguém?
Algo de alguém
Sem mais porém
De dizer Amém.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Lê-mim-sky...


Um mini-poema:
_____________
De tão a história
Logo eu escrevo
Algo em alguém
Outro sem quem.

Dois então sozinhos:
_________________
Meu amor foi ontem
Para toda eternidade
A dor que veio hoje
Para ser em universo.

Até o fim, acaba:

Meu último poema
Será pouco a pouco
E sem nada de mim
No acabar de nascer.


____________________
   Autor irreconhecido

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Paichão


O amor é isso mesmo
Algo que não se sabe
Alguém que se goste.
E o que seria de mim
Se nem poema fosse?
Todas essas palavras
Que não cabem aqui.
São de fato silêncios
Entre um eu ou outro
De quem ama no fim.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Um poema c-ego


O olho que tanto vê
Para dentro da alma
Algo tão cego de si
O olho que até fala
Palavra ou imagem
Pintando escuridão.
O olho que se sente
Enxerga na lágrima
Uma chuva de mim.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Trampo linho


O meu trabalho é um poema
Nem sempre sobre os outros.
Sem protagonistas estranhos
O mundo não escreve afinal.
E enquanto existir cicatrizes
Nada impede de ser mais eu.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Ex-certo²


Dentes entramelados que se beijam
Sussurrando um bafo de anteontem,
O amor mistura-se em álcool e café
Para que os dias sejam apenas vivos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Ex-certo¹


Nos vemos entre as remelas
Na segunda-feira de manhã.
Não basta dizer um bom dia
Se não ama minha preguiça
De ficar na cama ou contigo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Bitnick


De verso asfaltado
Na tinta de pinche
O poema dirige-se
Numa velocidade
Que só os rápidos
Leem eternamente.

Corro, mas de mim
Quilometricamente
Afastando a estrofe
Para um automóvel
Que não seja em eu.

Mas caso seja longe
Aproximo da escrita
Alguém de andarilho
Que já amou, talvez
E se perdeu na rima
Antes mesmo de ser
Algo que se desanda.