segunda-feira, 30 de março de 2015
Sobretrudo
Sabe o amor?
É, ele mesmo
Aqui e acolá
Isto ou aquilo
Este em outro
Não me cabe
Não se sobra
Não te atinge
Não prolonga
Apenas acaba
Enquanto dor.
domingo, 29 de março de 2015
H²Olhos
Não entendo - muito menos os homens
Aqueles que não sabem nadar, ou nada
E que se afogam na saliva d'outra boca
Como se a enxurrada de tantas palavras
Fossem então um náufrago de lágrimas.
Quantos homens já morreram afogados
Num mar dentro de suas próprias veias
Algo que não cabe sequer numa garrafa
Nem para embebedar o próximo dilúvio.
Quando mergulho sob um verso molhado
Me encharco de acordo com suor descrito
E aporto num peito - úmido e escorregadio
Para que eu submerja entre as profundezas
De um ser que chove sozinho sua liquidez.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Poema 190
Um meliante a poeta
Foi pego em flagrante.
Segundo testemunhas,
O eu lírico do suspeito
Atuava no contrabando
De versos entorpecentes.
De acordo com a polícia
O sujeito já tem passagem
Por porte ilegal de amores
E namoração de quadrilha.
Conhecido na comunidade
Apenas como pseudônimo,
Na residência do traficante
Foram apreendidos poemas
Sem alvará de licença poética.
Em sua defesa, o poeta versou
Sobre o crime que escreveu só
Agora, encarcerado no coração.
De acordo com a polícia
O sujeito já tem passagem
Por porte ilegal de amores
E namoração de quadrilha.
Conhecido na comunidade
Apenas como pseudônimo,
Na residência do traficante
Foram apreendidos poemas
Sem alvará de licença poética.
Em sua defesa, o poeta versou
Sobre o crime que escreveu só
Agora, encarcerado no coração.
terça-feira, 24 de março de 2015
Pós-poema
Um dia eu me mato num poema
Sem qualquer verso prévio meu
Pra que outros leiam sobre mim
E esqueçam o que tanto escrevi.
Antes de ser poeta - fui homem
De pouca coragem para o amor
Só enfrentei o papel em branco
Sem muito êxito por ser tímido.
Quem vive em meio ao silêncio
Sabe como morrer nas palavras
Eternizar o que lhe parece vivo
Sob uma dor que não preconiza
Minha própria intertextualidade.
segunda-feira, 23 de março de 2015
Besta-Seller
"Alguém que não se considera em eu
Ninguém que não se entrega em nós"
Mais um poema que não fiz
Mais uma dor que não senti
Outro amor que não foi meu
Outra vida que não morrerei
É assim meu verso, universal
É assim minha voz, sem vez.
Como posso ser então sincero
Como posso ser tão complexo
Se sou a multiplicidade do nada
Se sou a divisibilidade de Deus!
quinta-feira, 19 de março de 2015
Poesia sobre o esquecimento
Não fazemos poemas
Para sermos queridos
Nem mesmo, amados.
Todos versos são versus
Já nós, tão controversos
Escrevemos, nosso nada.
Nem mesmo, amados.
Todos versos são versus
Já nós, tão controversos
Escrevemos, nosso nada.
terça-feira, 17 de março de 2015
Amormalia
O amor é um verso impossível
Nunca acaba, logo, se esconde
Numa palavra tão mal escrita
Numa alma encardida de dor
Que só é lida enquanto escrita
Fora isso, é apenas um silêncio
Desta boca fechada para beijos.
sábado, 14 de março de 2015
Como dois são dois
Se dois e dois
São quatro,
Ou até mesmo
Cinco,
Disso,
Eu não sei.
Sempre fui péssimo em exatas
Na verdade,
Não sou uma pessoa exata
Lógica, matemática.
Pra mim, os números são outros:
Numa contagem de 0 a 10
Não sou nada
Absolutamente nada!
Apenas uma estatística
Um número
Natural, Inteiro
Complexo.
-
E dois e dois
São só isso mesmo.
Um do lado do outro
Ou melhor,
Dois do lado de outro
Dois,
O que não quer dizer
Vinte e dois.
De nada isso me serve
Na fração que é viver o momento
Na equação que é amar o outro
Somar!
Subtrair!
Multiplicar!
Dividir!
É essa matemática que sou
Que nego não saber
Que esqueço
Mais sei lá o quê.
O que falo é poesia
E matemática também.
Na sua trigonometria
De seno, cosseno, tangente.
Por todos os ângulos
Retos e curvos
X, Y ou Z.
Se conto
Conto algo,
Letra, número...
Há sempre uma história
Um cálculo a ser desfeito
Por alguém de Humanas,
Que acima de tudo
É humano.
Como dois são dois.
quinta-feira, 12 de março de 2015
quarta-feira, 11 de março de 2015
Ao teu dispor, Amém.
Ao nascer poema
E morrer no tema
Trafego meu ego
Enquanto o nego
Como alguém-eu
Que quase sofreu
De um amor ateu.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Está tua
A dor que dura no peito
De um tórax já rochoso.
Corpos já embrutecidos
Pelos beijos depressivos
O amor liquida o sólido
Mais em só do que lido.
Escrever é apedrejar-se
Atirar em outra palavra
Até sangrar as lágrimas
Deste coração defensivo.
terça-feira, 3 de março de 2015
Brevidades
O amor, por mais insensato que seja
Destina sua pungência ao ato textual:
Goza da ficção mais verdadeira de si
À uma vírgula que pausa no orgasmo
Um próximo ponto, então desfechado.
segunda-feira, 2 de março de 2015
Do MDC ao MMC
Um poema é como uma casa
Cabe a alma de mais alguém.
O poeta surge como anfitrião
Recepcionando outras dores.
O verso constrói seu alicerce
Cada palavra sendo atijolada.
Surgindo um muro de papel
Que protege os mais vazios.
Até um coração sem mérito
Tende ao conforto de só ler.
As insignificâncias da vida
Quando escritas são eternas.
domingo, 1 de março de 2015
Versifico
Por trás de outra boca não beijada
Há sempre um verso a ser redigido,
Uma palavra que enrosca na língua
E desce ladeira abaixo, até os dedos
Numa escrita que só diz o que falta.













