Gostaria de escrever
Um poema tão bom
No qual sem autoria.
Onde não diria nada
Mal me apresentaria
Para adentrar afundo.
Seria algo tão simples
Sem aplausos rítmicos
Para que se prolongue.
A eternidade era agora
Mas acabou repetindo
Um verso fora de mim.
Partindo qualquer ida
Num lugar quase feito
Como se eu inexistisse.
Outra forma de escrita
Que não pedisse licença
Para quem se diz leitor.
Estes que se manifestam
Sob uma crítica racional
Em que os poetas negam.
Queria mesmo um poema
Fora de cogitação humana
Assim surgiria o tal mérito.
Algo que tanto ridicularizam
Mesmo que essa falha nobre
Seja apenas um ato de tantos.
Entre ambas escolhas fáceis
Preferi me abster pelo nome
Estampado aqui como poeta.
Me recuso a ser ou ter algo
Enclausurado em estéticas
Ou qualquer tipo de mérito.
Meu poema não será pódio
Tampouco para os mestres
De fazer um ser onisciente.
Quase Deus, não mais que isso
Até porque viver da eternidade
Não vem sendo uma vantagem.
Deste que rejeita outro título
Ter seus sapatos engraxados
E tirar toda poeira do solado.
Sou um poeta no esquecimento
Alguém que recusa seu prêmio
A fim de ser redito em silêncio.
Ass: Poeta não tem nome.