quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

P.S


Quando estamos assim
Não há verso que sinta
O quanto nos amamos.

Minhas palavras fatais
Ás vezes te provocam
Num sentido tão banal.

Ser poeta é imperdoável
Aprofunda mais o que é
Íntimo de qualquer alma.

Espero detalhar bem isso:
Cada suavidade merecida
Enquanto namoro contigo.

Um olhar que pede perdão
Por tudo que falta e existe,
Entre aquilo que se espera:
O amor, na sua veracidade.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Para se fazer poesia sem ser outro poeta


Gostaria de escrever
Um poema tão bom
No qual sem autoria.

Onde não diria nada
Mal me apresentaria
Para adentrar afundo.

Seria algo tão simples
Sem aplausos rítmicos
Para que se prolongue.

A eternidade era agora
Mas acabou repetindo
Um verso fora de mim.

Partindo qualquer ida
Num lugar quase feito
Como se eu inexistisse.

Outra forma de escrita
Que não pedisse licença
Para quem se diz leitor.

Estes que se manifestam
Sob uma crítica racional
Em que os poetas negam.

Queria mesmo um poema
Fora de cogitação humana
Assim surgiria o tal mérito.

Algo que tanto ridicularizam
Mesmo que essa falha nobre
Seja apenas um ato de tantos.

Entre ambas escolhas fáceis
Preferi me abster pelo nome
Estampado aqui como poeta.

Me recuso a ser ou ter algo
Enclausurado em estéticas
Ou qualquer tipo de mérito.

Meu poema não será pódio
Tampouco para os mestres
De fazer um ser onisciente.

Quase Deus, não mais que isso
Até porque viver da eternidade
Não vem sendo uma vantagem.

Deste que rejeita outro título
Ter seus sapatos engraxados
E tirar toda poeira do solado.

Sou um poeta no esquecimento
Alguém que recusa seu prêmio
A fim de ser redito em silêncio.

Ass: Poeta não tem nome.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Pelo próximo poema


Confrontam-se os olhos
Num silêncio que acaba

É teu amor do outro lado
Que logo espera e expira 

Num tardar do beijo feito
Para que alguém prossiga

Algo que seja então eterno
Noutras mãos prolongadas.





sábado, 19 de dezembro de 2015

Pós-coito de um coitado


Não é do meu fetiche
Descrever a dor oral
De alguém no outro

Neste caso

Sobram-se as camas
E as noites em claro
Para que este sonho
Distancie tua carne

Dos meus instintos
Mais encarcerados
Num corpo imune

Que de tão imundo
Acaba em devaneio.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O beijo do tucano


Eu discuto política, você religião
Nos politizamos na frente da TV.

Fui pela direita enquanto você
Seguia no sentido da esquerda
Mas não para ser uma petralha.

Brigamos, persuadimos
Venci, perdemos afinal.

O meu coração reaça reagiu de tal forma
Que logo matou todos seus simpatizantes.

Manifestamos nosso silêncio
Num amor pró-impeachment.

Renunciei meu cargo
Logo, outro assumiu.

Fiz boca de urna
Por um beijo teu.

Me elegi na elegia
De tua vermelhice.

Fui presidente e traído
Onipresente, um Deus.

Por fim, nos aliamos novamente
Casamos e tivemos vários filhos.

No intuito de reeleger o que já foi partido.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

E o que os pós-estruturalistas dirão?


Eu
Que
Numa
Estrofe

Digo
Repito
Expresso

Todo
Meu

Carma
De luz

Encarnado
Noutro
Vácuo

Completo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Para um dia longe...


Espanco-me
Cada palavra
Numa lapada
Que lateja-se
Noutra carne
Algo de mim.

Dói o que sou
Meu despertar
De cada manhã
Acesa e escura
Sob um espanto
Mal interpretado.

Até quando sonho
Digo o quanto fui:
Alguém tão poeta
Em escrever tanto
Sem ter sido nada
Ao menos, morrer.