sábado, 29 de junho de 2013

Vem Kafka comigo


A grafia só é grave
Quando os dedos murcham
Ao estalar dos neurônios
E o martelar dos crânios.

Quem dilacera de si por ti
Tende falecer no sorriso
Mesmo tímido, é íntimo aqui
No abocanhar do mundo.

Sou moradia de mim mesmo
Estadia do próximo alguém
De vagas vagarosas
À espera, à espreita.

Vasto seja o que desconheço
Não confio mais no hoje
O amanhã virou dúvida
No passado que adormece.

Gentileza sua ir embora
Sem exigir um adeus
É assim e somente
Despedaça o muito que resta.

Nesse conflitar dos corpos
Que satisfaço o pior
Entre ambos, desde antes
O que nos implica.

Um beijo de lábios trêmulos
Foi cessado quando foi aceso
Na vaziez da multidão
Em êxito no fracassar da vida.

Pois recaio nas perdas válidas
Mesmo de custos falhos
Distanciados pelo atrito do prazer,
Estar junto é reconhecer-se só
Afrouxar as mãos dadas
E acenar com a palma de despedida.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

(N)ovu-lar


Para: Kkdeath

Sou o pontículo mínimo de querer/existir
Nativo do eu-centrismo que vos habitas
Ao an(seio) elíptico de rendon(de)dilhar
Esta e então casca atmosférica
Tão flácida aos esbugalhos af(l)ora.

Que nossa sapiência sobressaia de lá
Para um lugarejo por toda a inquietude
Das k'almas e karmas que assolam
Essa pressa da prece, esse além do Amém.

Abrir os olhos é um suicídio diário
Muitas vezes, o dia prefere anoitecer
Para as pálpebras mais servis,
Tais e elas enchentes de tuas pupilas
Ainda dienlatadas do teu vir-ver.

Sejamos (cont.)errôneos desta primatize
Quem tem parentescos com um/a
Prima-matéria com-texto-ali-zá-da
Do viés ao invés de cada vez.

Não há ar que ofegue nossas vias e veias
De tão velhas ainda bobinam
Nossos corações abobalhados
E nossas almas nucleares,
Pois a vida é feita de riscos e rabiscos
Quem sabe até da minha falha-poesia
Poe-SUA, poe-NOSSA...