terça-feira, 30 de junho de 2015

Mínimo, múltiplo, comum


Toda poesia é demasiada
Um exagero significativo
Amontoado em palavras.

E enquanto houver verso
Farei daquilo que não sei
Algo capaz de ser eterno.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

À morte - que nunca acaba


Uns morrem
Outros
Nem tanto.

Cada qual
Insiste
Como quer.

A morte
Tão óbvia
Não erra
Seu alvo.

Nem mesmo
O que já é
Morto
Para si.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Eu não sou (o meu poema) !


Escrevo
Não digo
Uma palavra
Sequer ao menos
Para que de mim reste
Apenas um monte de elogios
Que me perseguem até o outro lado da rua
Onde estou sempre a matutar o meu próximo verso.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Sub já sente...


Quem me dera
Se eu fosse
Um poema
Como todo
Mundo.

Ou pelo menos
Escrevesse
Tudo
Que admito
Ser.

Não

Tantas
Verdades
Sobre
Mim.

Mas
Aquela
Que me
Faz
Surge
Aqui:

Num poema
Mal redigido
E já pronto.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Afundo


O que sou
Eu não sei
...
Mas o que sinto
Ahhh, meu bem
...
É, quase nada
Perto da maré

terça-feira, 16 de junho de 2015

Filosofeia


O que me torna um verso?
O que realmente sou
Ou toda essa finitude
Que resvala numa palavra?
Qualquer e insana
Pouco importa em mim
Morrer para a posterioridade
Viver na leitura do outro
Que diz e rediz
O que mais intriga a alma:
Quem foi que fez tudo isso?
Para que mesmo?
Fica aqui a questão
Para que um poeta resolva
Na solução que acaba
O fim sempre prevalece.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

D'A poesia que rege o Eu


É eu isso
Eu aquilo
...
É tanto Eu
...
Que nem sei
Qual Eu sou!

De verdade(s)
De mentira(s)

Tenho um ego
Maior que Eu!

Do tamanho que é
E da farsa que sou:

Quem?
O quê?
Quando?
Onde?
Como?
Por quê?

domingo, 14 de junho de 2015

F-agulha


Do amor a gente entende pouco
Mas da dor meu amigo, sei bem.


O que seria de mim se não fosse louco?
Ou acreditasse num ateísmo de Améns?

Escrevo por natureza
Outra fala sem beleza
Estética, estática...
Escrever é uma matemática!
(E dos versos!)

Não de números (aos meros)
Não de nomes (aos homens)
O nosso amor é outro
Do outro! Nos outros!

Enfim...
É na dor que te trago
Num coração ou num cigarro
Fumado, defumado...
O que importa é que te levo
Bem leve, pena que breve
Também, meu bem.

sábado, 13 de junho de 2015

Dois andares diferentes


Na escada - da tua garganta
Desço cada degrau sob um beijo,

Seguro no corrimão - do teu braço
Para que me deixe entrar
Ladeira adentro.

Escorrego - na tua língua
E também, tropeço na minha fala,

Para que todo mundo saiba
O quanto é profundo -
Viver no percalço do outro.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Poet all...


Saia do meio
Do meu coração
Que eu quero entrar
Com minha outra dor!

Tire do seu corpo
Algo que eu possa usar
Não nesse sentido, por favor!

Pare de achar
Que todo e tudo
São a mesma coisa!

Que eu
Me enquadro
Na sua perspectiva!

Vil
Insana
Controversa!

Que julga
E amaldiçoa
Qualquer homem
Que se aproxima afinal!

De tantos e tantos
Sou eu, errado que seja
Que te diz num mero poema
O quanto vale está na sua ausência!

domingo, 7 de junho de 2015

Um poema sempre acontece


Você se acha dolorida demais
E logo eu que ouço suas dores
Sem pensar que tenho comigo
Tantas profundezas do mundo.

Não me responsabilizo por ser
Alguém que sempre aconselha
Outro erro que ninguém repete
Afinal, você se sente tão maior
Que nem sequer me ver abaixo.

Onde está quem tira teu sorriso?
Quem que sempre lhe abandona
Num altar que você mesmo fez?
Os príncipes vão e voltam até ti
Mas nunca presenciam sua falta.

Sou eu, por mais ridículo que seja
Que se dispõe a te olhar no escuro
E por fim, dizer algo já pessimista
Que, por muitas vezes, se torna tal
No amor que nunca mais vivemos.

sábado, 6 de junho de 2015

Sierra pelada


A mina
Minha
É ouro
De tolo

Lapida
Outra
Lapada
De luz
N'alma
Quase
Rubra

Brilha
Toda
A dor
Qu'eu
Nunca
Tentei
Viver

Vende
O que
Mais
Tenho

Medo
Nada

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Morri, venci


Sou do tipo que não vai nem pro próprio enterro
Já me basta os aplausos que finalizam minha ida
Para um lugar cheio de terra e muitos micróbios.

Quando eu morrer vou ver um mundaréu de gente
Dos conhecidos até os que se aproveitam da festa
Sim, com bebida e tudo! Sapateando meu túmulo.

Vão fazer todas aquelas orações que só elogiam
Afinal, um bom defunto é aquele bem bajulado
Para que tenha uma cova só pra ele, tão solitário.

Claro que esperamos sempre uma boa companhia
Daquelas que dividem o mesmo relento noturno
Para prosear sobre a vida já vivida que logo acaba.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Sou dado



Sentido!
Me doeu
Os calos
Do corpo
Já calado
Num hino
Degolado
Em verso.
-
Trincheiro
Eu-morto
Por mérito
De não ser
Mais outro
Que honra
Esse fardo
Camuflado
Em pecado
Nesta farda
Quase-santa.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A menina de letras miúdas


Sim, havia uma menina de letras miúdas
Que forçava a vista para com suas grandezas
Logo, escrevia sob o detalhe de um microscópio
Toda suas desavenças que lhe eram então hipotéticas
Principalmente sobre uma vida que não só existia em si.

Um belo dia, ela resolveu se apaixonar por outro alguém
Que pudesse então ler cada versinho ali camuflado na sua voz
E por fim, entender que o amor mora também nos detalhes sutis.

De fato, isso aconteceu na velocidade de um átomo em caos
O coração pouco pode fazer diante daquele leitor tão minucioso
Que nem se ateve a timidez da menina ao confidenciar seus beijos.

E foi na mesma boca que ela proferiu um tom mais de despedida
Afinal, a menina cresceu e consigo cresceram também as letras miúdas
Que não são mais as mesmas depois que conheceu o amor nas pequenas coisas
Amor este que não acaba no viés da palavra e nem na subjetividade das entrelinhas
Até porque a menina que aqui escreve é apenas um ser pequeno diante de tanto mundo...