quinta-feira, 30 de junho de 2016

[...]


O poeta
Nada
Diz,
Nada
Lê,
Nada
Ouve.

Mas
Nada...
Contra
A maré,
Nada
Contra
O fluxo
De todos.

O poeta
É
Antes
De tudo -
De nada.

Obrigado
A ser
Um nado:
SIn-cro-ni-za-do!
E
Nadar
Até
A margem
De si.

À procura
De algo
Submerso
No nadismo
De sua poesia.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Corp Us


Debaixo da minha unha
Suja e repleta de sangue
Há um tipo de versículo
Capaz de corroer a falta
Que existe entre um ser
Encravado no ferrugem
Até, sua última cutícula
Cair em fiapos de carne
No prato do próprio Eu
Vomitado na internação
Desta alma vil e víscera.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

O meu poema nada a ver/haver


O meu poema
Não tem a ver
Com essa vida

Tão menos Eu
Que mal segue
Uma linha reta

O meu poema
Não tem a ver
Com sentir-se

Tampouco ser
Ou fingir algo
Noutro campo

O meu poema
Não tem a ver
E dele sou dor

Principalmente
Quando se diz
O quanto falta

O meu poema
Não tem a ver
Porque é cego

Nem os olhos
Observam tal

O meu poema
De nada haver
Passa a existir.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ex-piada


A gente é silêncio
No ranger da porta
Em cada passo dado.

Nós, que cuidadosamente
Com a sutileza de uma alma
Adentramos um corpo bagunçado.

Pelo simples fato de que a fala
Interrompe aquele ato de mãos dadas.