terça-feira, 19 de julho de 2016

Um poeta fracionado


O poema é
E não é tal

Num verso
Algo vazio

A tentativa
De inverter

Outra alma
Em página.

sábado, 9 de julho de 2016

Notas no que não noto


Eis que um poema como este
Não surte o efeito necessário
Para esta noite tão sonâmbula
De ir e vir entre tantos sonhos.

O que vos deixo nesses versos
São apenas tentativas em mim
De ser algo depois, exorcizado
Para não persuadir tais clichês.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

O que são os que não escrevem?



Já me imaginei fora da poesia
Como um Eu alheio a espécie
Que mal lida com seus signos.

Cada detalhe surge como caos
Da própria essência de não ser
Quem faz do verso algo eterno.

Nego-me a leitura introspectiva
Antissocial, que afugenta a fala
Para uma distância quase inerte
Daquilo que escrevo nos outros.

Um conjunto de palavras soltas
Sem qualquer contexto na obra:
Falha e interrupta - tal maldizer
Não contempla minha fraqueza.