terça-feira, 31 de maio de 2016

O poeta é uma ostra


O poeta é uma ostra
Dentro de tal casulo
E escondendo em si
Uma existência dura
De tão escrita que é.

O poema que guarda
Em segredo e eterno
Sua pérola no fundo
Até a alma se fechar.

O poeta é uma ostra
Ao catar conchinhas
No ócio deste ofício
Mesmo "escrotáceo"
Torna-se ostracismo.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Notas de rodamão


Eu, que nunca acertei um beijo
Escrevo a falta do meu poema:
Quem disse que tentei ser belo?
Ou até mesmo um poeta eterno?
Pouco me vale essas definições
Muito menos falar deste amor!
Como odeio quem se diz leitor
E insiste nesse ar de inspiração!
Meu caro, o poema aqui é feio!
Feito a dor de uma noite insone
Que mal lembra, que mal quer!
Ter essa farsa da modernidade
Estampada no rosto e no verso
Ao ponto de não sobrar nada!
Nem mesmo o último ato atoa
Deste que será, o pseudo-outro.

sábado, 21 de maio de 2016

(...)


Nunca pensei
Que um verso
Doesse assim.

Não me existo
Para ser inerte
Ao que é amor.

É como se eu
Por mais afim
Que seja em ti
Nada justifica.

O meu silêncio
De tais palavras
Que perpetuam
A falta de você.

É difícil desistir
Daquilo que foi
Uma esperança
De sermos dois.

Ainda acredito
Que tudo passa
Numa desculpa
Escrita e vivida.

Eu como poeta
Faço meu pior
Que é escrever.

Não para outros
Nem como Ego.

É sobre os nós
Que nos dizem:

Amar é teimosia.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Há um poema em mim


Há um poema em mim
Prestes a sair com fúria.
Mas eu o tranco em tal
Para que ninguém, leia.
Há um poema em mim
E por isso não sou mais.
Um poeta que expressa
O verso contido em dor.
Há um poema em mim
Pois não tive tanta sorte.
Para livrar-me de viver
Enquanto palavra eterna.
Há um poema em mim
Por mais que isso acabe.
Sempre haverá um outro
Capaz de ser meu poema.

domingo, 15 de maio de 2016

Fino & Fine


O que é um verso
Para quem já está
Praticamente apto
A fraquejar no ato
Mais introspectivo.

Vagarosamente,
Se faz outro ser
Que se silencia
No olhar afora.

Encara a carne
Respira o suor
Até não sobrar
Um grão, de si.

Por um tipo de poesia:


Que arribe as saias
Que espie tua alma
Na penumbra viva
Na morte felicitada
Teu amor recíproco
Numa palavra vaga.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Os poetas que não bebem


Há sempre uma dúvida imersa
Sobre os poetas que não bebem.

Mesmo que os mesmos façam
Um tipo de verso à beira de si.

Atravessado num rio qualquer
Entre a correnteza de palavras.

Flui-se a ideia do poema sóbrio
Até que a última lágrima seque.

A fim de sugar toda aquacidade
Presente em cada gota de gente.

Que de tão lírica, navega a alma
Para longe - dessa secura escrita.