terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Eutanazzista


Como se não houvesse escrita entre nós
O que foi dito hoje pode ser um poema
Apesar do tempo sempre parecer breve.
A forma como você manuseia os dedos
Cada qual tocando a suavidade que doí
É um detalhe desta pequena eternidade.
Eu fico em mim, para não ser tão hostil
Isso me incomoda às vezes, em silêncio
Por mais que a justificativa seja poética.
Mas é como se policiasse tantas palavras
Acalmo meus olhos e apenas digo, além
Nada que provoque qualquer indagação.
Até percebo o como pode segurar em si
Desde um simples copo até meu sorriso
Bem, o mundo nasce de tais pequenices.
Por mais que se fale em arte na taverna
São só os bêbados que tem essa audácia
De dizer enquanto escrevem algo, enfim.
E quando os versos lhe surgem escassos
Ou se a bebida sacia a sede d'outra alma
Resta saber se um poeta tem vivido hoje.
Neste caso, a sempre mistério sobre nós:
Uma miopia que enxerga outros mundos
Uma criança que envelhece seus sonhos,
São teus cabelos adornados num escuro
Um fio de noite e dia, verossimilhantes.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Sobre viver: sobreviver


Alguém tem que escrever
Mesmo que ninguém leia.
Não tenho tantas objeções
Para que eu seja um poeta.
O que motiva acerca disso
São noutras possibilidades:

Se crio, é algo involuntário
Se sou, não tive alternativa
Deus e eu, uma linha tênue.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Os feios também amam


Que me desculpe Vinicius
Mas os feios também amam.
E como amam...
Não há motivo para não ser
Amantes, amados...
Os feios amam porque amam!
Com toda feiura  
Seja ela então amor.
Os feios se amam
E amam os outros também.
Não há restrições nisso
(O amor)
Ah, o amor...
Esse que de tão
Acaba sendo feio,
Como os feios de natureza
Que são às vezes tão belos.
(Bem...)
Depende de quem os olha
Ou, de quem os lê.
A beleza está nos olhos
Até mesmo dos feios.
Por mais que digam
Que
Os feios e os bonitos
São o que são
Porque amam.
Neste caso,
Cada qual com sua estética
(Bonita ou feia)
O amor é apenas amor.
Sem mais, nem menos
Para que os feios
E também, os bonitos
Se amem,
(E por que não)     ?
Por um todo
Ou por nada.
Enfim,

Amem.

Amém?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

De trás do verso


Um poema comum
Onde todos são um
Neste poeta que é
Um ser alado a pé
Que voa sua mente
Para o eternamente
Quando nega o sim
Antes de outro fim.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Diminuto


Como espinho
Amou sozinho
E sem vizinho
Foi a caminho
D`outro ninho.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Parece Araguaína mas é só tristeza...


Se existir um poema tão araguainense
Adornado com as flores do pequizeiro
Não há outro rumo para a rua do amor,
São as mesmas pedras que apedrejam
Um tal caminho de quem não regressa.

É como se a madrugada fosse indecisa
Em ser então só dia e por fim ser noite.
Pois, se o mundo cabe então numa rua
Por que o que pinga esbarra nos olhos?
Ou, se toda alma fosse então andarilha?

Poetar é fácil quando se tem um vazio
De algo já cheio que nem parece fome,
Comer está muito além do que é carne
Mesmo sob o suor do corpo escaldado
De alguém que até divide o chambaril.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Versograma


Era pra ser um poema
Infelizmente, não d'eu.
É muito muito mundo
Para tão pouca escrita.
Porém, cabe me tudo
Num verso sem vício
Algo, que quase se lê.

domingo, 11 de janeiro de 2015

O gargalo da vida


Quando você está bêbado
Nada o impede de ser isso
Algo que se negue de você.
Não há circunstância, outra
Que em amor resulte em eu.
Vem como uma conflitância
Em que todo vira algo rápido
Um instante para tudo acabar.
Se esse poema parece pouco
Enquanto o mundo é pretexto
Nada diz para que o fim, seja.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Xisto


Oi, não sei começar um poema
E nem quando devo terminá-lo
Percebe-se isso como antilogia
Uma obra de alguém póstumo
Que datilografou outro vacilo
Sem saber a soberba da carne.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Re sumo


Escrevo como se fosse um último dia
Não esses dias fracionados em horas,
Pouco importa esta lógica dos homens
Que ao mesmo tempo leem e morrem.
Me parece um percurso quase natural
Esta questão onde a arte se contrapõe
Ou até mesmo buscar equilibrar o erro
Enquanto a vida é apenas algo de Deus.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Pseudo-r


E vem sendo um poema louco
O que ainda parece ser pouco
Pra quem de silêncio tão rouco
Ecoa toda palavra num estouro.
Não parece verdadeiro mentir
Ou enlouquecer antes de sair
Qualquer pseudônimo ao falir
Alguém que mal escreve de si.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Um não poema, de alguém quase nada


Você que lê aí em silêncio
Vou lá e escrevo eu calado
Mas nunca como um poeta.
Se sou, devo negar de mim
Essa mediação de palavras.

Digo, o poema não é meu
Na verdade sou mais dele
Do poema, a quem existo.
Por mais que eu o escreva
É o verso que se faz em si.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Pró-tese


Minhas mãos de escrita
Arredondam teus seios
Sem tatear algo adentro
Que seja então em nós
Tão pleno de enamorar
Corpo a corpo, alguém.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A>Deus


Morrer, porque sou preciso
Para abrilhantar minha vida
Cheia de outros sem ser eu.
Na certeza também duvido
Não é de agora que espero
Alguém tão personificado 
Para existir depois do fim.