Como se não houvesse escrita entre nós
O que foi dito hoje pode ser um poema
Apesar do tempo sempre parecer breve.
A forma como você manuseia os dedos
Cada qual tocando a suavidade que doí
É um detalhe desta pequena eternidade.
Eu fico em mim, para não ser tão hostil
Isso me incomoda às vezes, em silêncio
Por mais que a justificativa seja poética.
Mas é como se policiasse tantas palavras
Acalmo meus olhos e apenas digo, além
Nada que provoque qualquer indagação.
Até percebo o como pode segurar em si
Desde um simples copo até meu sorriso
Bem, o mundo nasce de tais pequenices.
Por mais que se fale em arte na taverna
São só os bêbados que tem essa audácia
De dizer enquanto escrevem algo, enfim.
E quando os versos lhe surgem escassos
Ou se a bebida sacia a sede d'outra alma
Resta saber se um poeta tem vivido hoje.
Neste caso, a sempre mistério sobre nós:
Uma miopia que enxerga outros mundos
Uma criança que envelhece seus sonhos,
São teus cabelos adornados num escuro
Um fio de noite e dia, verossimilhantes.














