quarta-feira, 30 de março de 2016

Amor in transe


Amar é pedir desculpas
Mesmo quando há razões
Para emburrecer um peito.

Amar é pedir licença
Na espera de alguém
Que nem sempre é:
Algo que preenche
A face introvertida,
Em riso - pelo raso
Da alma comprometida
No verso que lhe aflige
O rumo esquerdo da vida.

Amar é pedir troco
De volta e em volta
Um abraço que aperta
Tua falta numa só dor.

domingo, 13 de março de 2016

As perversidades de outros versos


Pega esse poema!
E soca ele
Naquele lugar!

Sim,
Aí mesmo!
Onde mais
Dói!

Vamos ver
Se você
Aguenta!
Um poema
Todinho!

Bem dentro...

No orifício
Que é
Tua alma.

O buraco
Que se abre
Num verso.

Fundo
Escuro
Perverso.

segunda-feira, 7 de março de 2016

O poeta é sempre o último


O poeta é sempre o último:

A ler o que já foi escrito
A dizer além do silêncio
A viver depois da morte
A ser alguém nos outros
A sofrer pela eternidade.


Deixemos para o próximo...

terça-feira, 1 de março de 2016

Subterrôneo


Morro -
Acima
Da existência
Na qual
Me saio.

Num buraco
A menos
Que só existe
Para quem é
Fundo.

Sei sei seis


Desde o
Décimo
Primeiro
Ponteiro

Ninguém
Mais se
Diz além

Desses
Versos

Abaixo.