sábado, 3 de dezembro de 2016

Empoetado


Disseram-me que não seria poeta
Mas por insistência e ociosidade
Fiz meus primeiros versos ao léu.

Não consegui convencer ninguém
Tampouco, ser lido como clássico
Ou pelo menos como pós-moderno.

Diga-se de passagem: a poesia morreu,
Nos corações mais nobres que se calam
No tardar dos tempos em almas fáceis.

Os poetas continuam bem vívidos de si
Com suas palavras duvidosas nos livros
A fim de quem descubra seus mistérios.

No meu caso, esse segredo foi efêmero,
Sempre quis transparecer minha poesia
Através de um grito que ecoasse a voz.

Alguém que precisa dizer suas verdades
Por mais que isso fosse algo tão inútil e só
Para que outros não neguem o simples fato
De ter tentado escrever isso, de ser poetado.