segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A rua de cada verso



Respira ser gente
Nasce bem longe
Num outro tão ali,
Sente-se ao tanto
Chora e silencia
Toda vez, a voz.

Lá está, ninguém
O sangue na rua
Esquina da veia,
Tinge rubro fora
Asfalto de carne
Um rosto e risos.

Olharam, apenas
Era eu ou alguém
Sem identidade,
Agora, indigente
O trânsito calou
Fim do pedestre.

Avenida em mim
Meu monóxido
Átrio carburador,
Os amores, vão
Então eu fico, só
Atropelado assim.

O semáforo pisca
Colore essa dor
De antes, é agora!
Não há socorro
Quem pouco crê
Na cidade pouca.

É nesse tal urbano
Que então mata-se
Aos meros poucos,
Cadáver na estrada
Uma outra rodovia
Da morte acelerada.

Trafega entre nós
Numa contramão
Deixa hematomas
E parte, fiquemos
Freando toda vida
Enfim, acaba-se.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Textosterona



O poema pode começar despercebido
Sem uma cláusula a favor do público
Escreve-se e assim toma certo partido
Das coisas plenas que o tornam único,
Um poeta morre a cada verso que faz
Uma guilhotina de palavras vem à tona
Sobrevida a uma memória lá de trás
Que profetiza a poesia em sua persona.

Não se cria tantas expectativas nas letras
Tão miúdas que são e mesmo assim matam,
Lançam mãos frágeis sob uma tinta preta,
Talvez pelo martírio que é aos que amam
Nem que seja no intervalo duma solidão,
O que vale é pressentir além do eu ao redor
Cheio de ego que acorrenta o tal coração
Dito e cujo no encargo de pulsar-se menor.

A razão diz o que a poesia prefere mentir
É desnecessário atrelar saberes e sabores
Nossa vida tenta ser vasta até no seu partir
Como se a morte fosse o fim destas dores,
Mal sabe eu que nem todos saberão também
Mas tento, na teimosia de ser pecador aqui!
Quem me dera fazer toda rima deste Amém
Assim todos os santos virão do enfim surgir.

Clama-se as rimas que fecham tantas lacunas
Nesta costura de carne sob uma alma fonética,
É o som que somos e somamos mais colunas
Vértebra do espinhal entre sangue e dialética
Contraponho as mãos em punhais na escrita
Ela, tão nocauteada na pancada de cada seio,
Nasce um filho desde o sumário até a métrica
Do tamanho rasteiro que beira o lado do meio.

Centrismo de cada ser no núcleo fora do texto
Um pretexto para fabular quem tem seu clímax,
Além do desfecho aberto para todo esse incesto
Une vida e obra para que o sentir infle o tórax,
Escrever pouco cabe na entranha da entrelinha
Somos plágios de nós mesmos de forma única
E não é uma autoria que faz a ideia como minha
Apenas a forma que me entrego ao ler tal mágica.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Amor(exia)



Apreenderam o amor
Aprendemos a amar,
O corpo é jaula de si
Um copo sem sede.
Tudo subentendido...
Na distância do verso
Que mede a palavra
E a lonjura entre nós.

O amor é carne alheia
Tectônico aos corpos
Nus vindos do Éden,
Idem contra e afronta
Guerreia todo silêncio!
Ama quem por alguém
Sem dueto de ter doído
Na curvatura da boca
No teu próximo beijo.

Julga-se tendo amado
No pecado dos outros,
É o amor sob custódia
Réu da mesma entranha
Álibi de todos amantes,
São estes nas esquinas
Entre tantas silhuetas
Amam mais, sem mas.

Amar é feito criminoso
Ato ilícito no implícito
Algum assalto interior
Roubam-se tais amores.
Meus pêsames ao amor
Sepultado no ventrículo
Que ressuscita todo dia
Nasce sempre, à espera.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Eu - REKA(DO)!


Veio ontem o amanhã
Entre os dias de Deus
Dará o tempo em sã
Coincidência aos meus
Pecados e  os picados
Pelas feridas murchas
Por todos os estados
De êxtase, vi a bruxa.

Que pancada é essa
No padecer da carne
Vendida a tanta peça
E vai logo no cerne
Quem malda a vida
Sujeita o outro ali
Sem atrever a vinda
Cavalgada neste ti.

Consolador na porta
Cala mais um beijo
Chora dentro a aorta
A outra enfim deixo
Nas ideias soltas lá
Ao monte coberto
Volto ai no estalar
Dos dedos, por perto.

Assim embrulho eu
Uma face seminua
Desbotada no seu
Céu de boca duma
Santa feia que traz
A veia seca enxuta
No colapso da paz
Pomba voa e chuta.

Xiita no xingar tanto
Às vezes, submerge
Num olhar de espanto
Vira e mexe o herege
No lugar quem aluga
Na verba sem verbo
Acionário tem a ruga
A marca para o terno.

Baila os hits fanhos
De uma dança torta
Comida aos estranhos
É nascer já tão morta
No cansaço de adiante
Fui-me em delongas
De perto, um iniciante
Em fim até prolongas.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Poetar



A vida na longitude de uma frase
Sob a cabeça chapelada em crase
Vem o acento mas falta o assunto
Deste eu sujeito aqui sem adjunto,
O mundo feito sob as reticências
Poesia cética entre tantas ciências
Por toda esta hipérbole que sente
Na vírgula presa em cada dente,
Existo no verbo e minto no verso
Corpo de estrofe ainda submerso
Na rima tímida, no clímax morto
Da palavra que nasce em aborto.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Ao lado, de dentro



Hoje faço o que o amanhã esquece
Ressuscito mais a cada dia dito seu
Sepulto o verso em você nesta prece
De atritar longe esse eu junto ao teu,
Venho sem tanto no entanto para ti
Desterro o peito para fincar o apreço
As palavras palpitam num compasso
Onde o tal coração vira um endereço
E abriga o entrelaço aqui tão escasso.

Uma lágrima que desliza sob o rosto
Os olhos encharcados nesta árida pele
Chove-se no olhar rente algo suposto
Voz trovejada que tempesteia este rele,
O poema em grito, da boca pra dentro
Mantive somente este espaço ao lado
E lá vem quem chega neste epicentro
Aprochegando essa tua falta em fado.

Em cada traço desmistifico sua presença
O quanto existe de você em mim por dó
Bendita seja no conceber desta licença
De ofegar o mesmo ar que já foi tão só,
Mero eu doído nesta brecha ainda vazia
Perante o elo a ela, um nó entre nós dois
Fica então esta remetência pela primazia
Entre as concordâncias que virão depois.

sábado, 19 de outubro de 2013

À parte



Ao amigo em dérbi consigo
Toda pauta tem sua pausa
Nas fronteiras do inimigo,
Que faz fax de letra falsa
Da rubrica em teu sangue
Numa fissura de cicatriz
Não tenho a tua amante
Meio pedante, essa atriz.

De monólogo tão fácil...
Um prazer débil em nós
Sentir antes do prefácio
Uma história dada a sós,
Miolo desta carne crua
Assim assado, fez caso
Por acaso, foge da rua
Na esquina que atraso.

Como mentir o remorso
Se a verdade me expõe?
Coube a dor do destroço
A náusea que tanto põe,
Perde-se ali mais um elo
Sem nó ou laço de fita
Entre ambos, em duelo
Por aquela, tal senhorita.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Viva la Poetización!



A prece tem a pressa do preço preciso
Mais-valia ter a graça do que de graça
Na esmola que faz escola do prejuízo,
Tende a atender o trombone da massa
Vem em farsa, por toda esta desgraça
Que disfarça as mentiras de tal sorriso.

Juram o pão de ontem nessas migalhas
Flor sob o espinho, o porquê do buquê
O teu perfume que me perfura as falhas,
Enjaulam os filhos na caixinha da tevê
No plim plim do choro jus aos canalhas
Vida e obra na propaganda em degradê.

Mãos pedintes de trocados e até fiado
Só mais uma rua rasa ao ver o edifício
A altura em apogeu de dentro do lado,
O emprego bate no prego e seu ofício
Martelar a mente o mentir ao quadrado
Lá no fim afim de mim pelo teu início.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Leia eu a tua bula!



Prescreveram um laudo deste lado
De banda, contorcido no sábado
Este de aleluia, aluado a tal Sol
É só mais uma maca sem lençol,
O sepulto de alguém ali por fora
Um dito tchau tardio que demora.

Toda autópsia vem do rosto pálido
Do falar e do falecer ainda válido,
Perícia de dentro, óbito de tudo...
Só sendo cobaia de todo conteúdo
Que adoece todo a cura em males
Para que teu enfermo então fales.

Na saúde ou na saudação, partiu...
Dessa para a dúvida quase febril
Fica aqui as cicatrizes das chagas
Na unção para as outras pragas,
De quem pede socorro no relento
E morre em vida sem ficar isento.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Poesia às avessas



Sepulto nos garranchos mais uma parábola viril
Independente da ditadura silábica no seio febril
Sou eu enfermo do veneno que embriaga tantos
Vira viral e varal das vestes de todos os santos.

Nosso dogma fervilha a veia da velha prosa
Destas mãos encravadas, brota-se uma rosa
O furúnculo da vida, o cerne dos escondidos
Sem eira nem beira do sussurro aos ouvidos
Furta os léxicos como escriba dos bandidos.

Poesia rasante no lapso da elipse sob a cabeça
Pertencer alheio nos outros para que aconteça,
Estranho eu (re)citar o perder destas façanhas
Para satisfazer todas entrelinhas e entranhas
No abalo sísmico destes amores magmáticos
Um nuance do romance, sejamos dramáticos!

Escrever é algo além de doar palavras ao sentir
É preciso mentir na busca verdadeira de ir e vir
Mesmo em passos mancos, aleijar-se a tal ponto
Em que todas as deformidades virem encanto
Pois assim se fez o ser, existindo por enquanto...

domingo, 13 de outubro de 2013

Mameluco



O verso como corda dos enforcados
Fez linha do elo e nosso alô ao lado
No tricotar converseiro dos pardos,
Essa pele madeira sob a escrivaninha
Traz a dentadura enferrujada minha
A palavra ruminante que a boca tinha.

A rima batida na palmatória do pesar
Mão esmurrada na prosa de cada bar
Engasgo o sotaque, é aqui sem lugar
Deste rosto polido em toda linchação
O palavreado em pauta vai na oração
De quem mente poesia para os sãos.

Vem o fim que revigora em outrora
Escreve-se a pausa da vida que mora
Ao lar de cada um, que brinca lá fora
No mesclado dos nossos caules viris
Aos corpos mognos que vão num triz
Morenice dos papéis em força motriz.

sábado, 12 de outubro de 2013

Poemeio



O chão que eu respiro
É o ar no ir do espirro,
A boca cheia de beijos
Dos lábios deste almejo.

Calam-se ai os teus olhos
No fato da foto, eu colho
E encolho em toda altura
Na mentira que tanto jura.

Os dedos murcham agora
É um dia que fica lá fora
Nesta prévia que me arde
Num amanhã que vai tarde.

Quem de vez em pouco
Fez de um silêncio rouco
O que sempre quis em reza
Aos anjos que assim preza.

Não adianta ir em tal atraso
Quando a dívida vira prazo
Tudo vale quando se é nada
Isso tanto ao tonto que fala.

Quantos versos tentei soluçar
Na solução dada a cada par,
Fiz grito de mim para outros
Dei a voz alheia aos monstros
E foi então que me vi noutros.

Carne deste teu espelho feio
Que veste e investe no meio,
Aconselha estas sobrancelhas
A chorarem menos por mais
Para tanta tentação que te traz.


sábado, 21 de setembro de 2013

Tua boca apedrejada



Deste rosto moçado com melanina rosada
Costurou-se ali mais uma ruga defasada,
Assim choveu os olhos no seu pretérito,
Que se faz dilúvio e assim ganha mérito.

No pisotear dos calos, vendeu-se o amor
Dos mais estalactíticos, goteja o que for
Desde o suor árido até a secura das veias,
Foi um abraço enforcado de mãos dadas
Atadas nos nós nus das feridas bordadas.

Da pétala carnuda, esfomeou ali os lábios
Com o verbete que esquece-se nos sábios,
Veio até a boca apedrejada e selou o beijo
Cessou tal como tampa no fundo do poço
Meio que ensosso, veio então seu colosso.

E na pupila escurecida vejo o olhar rente
Dado ao atraso de quem têm pouca gente
No átrio ou em atrito, assim surta essa sorte
Que só então espera existir depois da morte.

domingo, 25 de agosto de 2013

O beijo no ralo


Assim de bruços, lá estava ela a minha espera
Veio até mim para por fim no que já não era,
Por acaso, não senti aquele estrago que te traz
No corroer dos passos de quem quer ainda mais.

Padeci sobre teu salmo, ensaiei meus prantos
Paguei o custo que é ser enxotado pelos cantos
Perdi o silenciar da voz, por ventura a rouquidão
O mal que sabe fazer é tanto que acolhe esse só.

Sou eu parcela de ti, no nosso franzir corpóreo
Me fez cárcere deste sentir que ninguém é páreo,
Favores ao mundo que adentram aos tais furos
No convés do peito, se fez a distância em muros.

Como julga o ato de dedilhar essa pele suada?
Sujidades que nego, a beatificação daquela amada
Que suspende os calcanhares ao estiraço do chão
Incendeia meus olhos no fervor acima da razão!
Deste eu acorrentado aos pêsames em vividez.

O princípio não era verbo dos seres mais febris
Na enfermidade do ardor, teve os amores viris
Sem aquele laço frouxo que se fez por um triz,
O que um suspeito sofre no alheio de alguém?
Mais um beijo no ralo, às mazelas de ninguém
Ao menos os males que traz me (e)leva também.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Vice-Eu



Lá vem este tal verso de compaixão
Que recita estes achados de gente
É meu reflexo diante da tua flexão
Mais uma cicatriz com sua latente.

Me senti sóbrio desde o vômito
Exteriorizei o chorume de mim
Fiz daquela súplica algo cômico
Nem precisei chegar até o fim.

Queria ser aquilo que já fui um dia
Sem a dó de ter uma dor contrária
Destas procissões de quem mais ia
Para o lado bambo da tua falsária.

Diga-me na mudez que rege e roga
Quem poderia remoer isso outrora?
Se é de ti que vem toda essa corrosão
No perecer que martela um dito não.

Disponha das falácias que mendiguei
Pode até ser que ostento o intragável
Guardo os entes perdidos que forjei
Tampouco vejo o quanto sou instável.

Vida minha na qual não tem pertences
Deixo aqui meu atestado de insensatez
Para o atraso dos amores em combate
Declinados na cria desfeita desta vez
Nas juras de quem se refaz por traste.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estêncil


Da janela - um refletor
Um olhar - a mesma dor
Quando os dias sobram
Penso um pouco devagar
Não sei, mas já estive lá...

A cama - eis meu refúgio
Com*paixão - um vesúvio!
Diz assim quem se cala...
No tardar de nossas eras
Me entrego a outras meras.

Um cigarro - em seu fervor
Alguns tragos - vem o odor
De sentir e fazer-se tão só
Neste mofo de tentar ser
Que cega para talvez ver.

Aos cacos - virei vidraça
Transparência da desgraça
Que é reluzir a poeira de si
Na "pata" que vai no tapa
E volta no beijo que tampa.

Estampo essa pele tão rugosa
Da velharia por mais teimosa,
O que resulta desta minha fé
Se não quero ajoelhar em pé?
Perdoe-me... Senhor do Amém
Mas sou criador aqui também!

Não espero - o então final
Eu só quero mais um sinal
Que de fato, algo tal houve
Para que a mão ainda louve
O enforcar de nossos dedos
E sele a benção dos medos.
















domingo, 11 de agosto de 2013

Menos que nada


Era preciso se perder em si
Para a vida ganhar um sentido
Como se isso tivesse algum valor
Quando tudo vale menos que nada.

Não se vê o passado como antes
Nem mesmo o que viria depois
Por que isso traduz nossos medos
As vergonhas alheias presas em nós.

Aqui partimos sem querer chegar
É melhor ficar quieto onde tem barulho
Pois é assim que nos destacamos
Em meio a multidão que fica assim só.

O que resta de um todo pode ser vazio
Para quem almeja algum descarte por aí
Sem mesmo impedir seus predadores
De saciarem a dor que é a vida após a morte.

Crenças à parte, fica aqui meu relapso
Das lendas rezadas que ainda falecem
No passar das eras e nos passos do homem
Que suspeita ser algo ereto e alguém errôneo.

Pouco importa se não vou tão longe ou além
Do que vai no pranto e amolece no consolo
O pecado só veio porque tem seus adeptos
Mesmo na falta que fez acima do raso.

Um prato seco para os desjejuns que virão
Borbulha a náusea dos entes excomungados
Nem mesmo uma saudação os salva
Dos soluços que entalam um choro adiado
Que espreitam os cochichos do ali ao lado.

Um sopro abala o chocalho dos ouvidos
É voz que se faz no silêncio que mente
Conta piadas e gargalha alguns dentes
Mas não esconde o canino que rosna
Na boca profana que saliva o néctar
Dos beijos colados como velcros.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Pardal rouco



Disseram-me que não sou digno desta jaula
Apesar das prisões de ventre que tenho,
Do que me adiantar ter estas asas
Se é dos pés que vem o meu pouso?
Desse chão que me pisa aos poucos
De um voo rasteiro que derruba
Os saltos de quem se julga solto.

Nessa morada revestida de gaiola
Descubro a penúria de ser Ave-Maria
O quanto é penoso assobiar pra dentro
Se o desejo entala o choro piado,
A pegada virou piada descalça
Para quem penaliza suas quedas
E busca a piedade acima de si.

Ontem jurei que queria ser sempre seu
Mas só depois descobri o tanto do céu...
E lá vou eu nesse êxodo de mim
Migrando aos poucos por enquanto
Que nem sei porque tão alto,
Beijei meu último asfalto por hoje
Já rastejei muito solado aqui
O que me resta é só um repouso
Pois é do descansar que tento ser longe.

Talvez este meu ir não vá além
É uma pena, alguns passam e vão
Outros voam no pesar das plumas.
O ninho ostenta ser um lugar seguro
Mesmo quando não se quer aterrissar
No ar rarefeito de quem o ofega,
Permita-me ser alado só mais uma vez
Aos ares em luta ou pelo menos em luto.

sábado, 13 de julho de 2013

Pós-anterior



De quem nasce sempre um pouco mais
Dos dias que morrem cada vez menos,
Um minuto de barulho aos silenciados!
Estamos aqui na década de decadência
Onde buscamos ser atemporais
Com a pressa que não sabe até quando.
Ser póstumo de nossas memórias
Á espera do antes que enfim atrasa
E adianta o amanhã que já foi tarde,
Tudo é passageiro para quem é breve
Pois só depois não há outrora para isso.

sábado, 29 de junho de 2013

Vem Kafka comigo


A grafia só é grave
Quando os dedos murcham
Ao estalar dos neurônios
E o martelar dos crânios.

Quem dilacera de si por ti
Tende falecer no sorriso
Mesmo tímido, é íntimo aqui
No abocanhar do mundo.

Sou moradia de mim mesmo
Estadia do próximo alguém
De vagas vagarosas
À espera, à espreita.

Vasto seja o que desconheço
Não confio mais no hoje
O amanhã virou dúvida
No passado que adormece.

Gentileza sua ir embora
Sem exigir um adeus
É assim e somente
Despedaça o muito que resta.

Nesse conflitar dos corpos
Que satisfaço o pior
Entre ambos, desde antes
O que nos implica.

Um beijo de lábios trêmulos
Foi cessado quando foi aceso
Na vaziez da multidão
Em êxito no fracassar da vida.

Pois recaio nas perdas válidas
Mesmo de custos falhos
Distanciados pelo atrito do prazer,
Estar junto é reconhecer-se só
Afrouxar as mãos dadas
E acenar com a palma de despedida.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

(N)ovu-lar


Para: Kkdeath

Sou o pontículo mínimo de querer/existir
Nativo do eu-centrismo que vos habitas
Ao an(seio) elíptico de rendon(de)dilhar
Esta e então casca atmosférica
Tão flácida aos esbugalhos af(l)ora.

Que nossa sapiência sobressaia de lá
Para um lugarejo por toda a inquietude
Das k'almas e karmas que assolam
Essa pressa da prece, esse além do Amém.

Abrir os olhos é um suicídio diário
Muitas vezes, o dia prefere anoitecer
Para as pálpebras mais servis,
Tais e elas enchentes de tuas pupilas
Ainda dienlatadas do teu vir-ver.

Sejamos (cont.)errôneos desta primatize
Quem tem parentescos com um/a
Prima-matéria com-texto-ali-zá-da
Do viés ao invés de cada vez.

Não há ar que ofegue nossas vias e veias
De tão velhas ainda bobinam
Nossos corações abobalhados
E nossas almas nucleares,
Pois a vida é feita de riscos e rabiscos
Quem sabe até da minha falha-poesia
Poe-SUA, poe-NOSSA...








terça-feira, 5 de março de 2013

SHHHado


Para:  Wander-son Sousa

O espetáculo da inibidez
Do falante não-praticante
Que escandaliza a c'alma
E esbraveja o soss(ego) de ser
Aquilo que ecoa sobre si.

Sussurra o pesar de tuas palpitações
De uma rouquidão tão poética
Ao ouvinte que cessa o timbre
Com o estridente calar dos calos
Destes dedos ao (d)escrever-te.

Toda quietude tem sua plateia
Por mais "falático" que isso seja,
Um múrmuro torna-se elo(deli)quente
Quando a garganta desata a voz
E afrouxa a asfixia do tom.

O barulho carece desta tua intro-versão
Que consola os prantos não-prontos
Do conselho dito(ngo) ao amigo o-culto.
Sábio é aquele que faz jus ao seu silêncio
Em meio a tantas onomatopeias,
Detentor do dom sensitivo de suprir
O direito de quem cala e fal(h)a
Logo, consequentemente consente.

sábado, 2 de março de 2013

Escoração




Por um momento, queria ser tua ferida,
Que cicatriza tuas fissuras.
Prantos que nunca filosofaram,
Cânticos de trombetas de anjos e demônios,
Eis aqui o homem que tenta flutuar...
Tão flutuante como as utopias que sobem os montes,
Talvez o Himalaia não seja tão distante assim...
Basta uma mente insana e um bom leito,
Teu repouso já é algo excitante.
Ambos os cromossomos são homogêneos,
Gênios de lamparina são reais e dólares!
Só depende da bolsa de valores e temores.
Eugênio não passa de um pacato pangaré,
Que não é apenas um ruminante errante,
São apenas rumores (de amores).
Declame teus poemas em cima daquela pedra polida,
O mundo continua sendo paleolítico, não se preocupe.
Fume aquelas bolhas que despencam do que chama de "surreal",
Meus pais foram andarilhos cubistas...
E eu estou aqui de braços abertos,
Só falta-me os teus pregos (I.N.R.I).
Maldito seja aquele que tentou poetizar essas linhas,
Tudo isso não passa de veneno para a alma,
Pois essa tua ferida já cristalizou.
Oh céus! Quem poderá me defender? (Eu?)
Ah sim... Resta-me o resto.
Peço-lhe neste exato momento:
Posso te ferir novamente?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Horizontes perdidos




E eu aqui: sem coordenadas geográficas e sem coordenação motora
Aproximadamente longe das longitudes e das longas noites mal dormidas.
Extremista ao(s) extremo(s) de horizontes perdidos
Que carrega um buquê de Rosas dos Ventos para sua amada
Imigrando para um coração de fronteiras em litígio.

E você ali; desenhando linhas imaginárias em torno de si
Paralelamente as curvas de teu corpo desnudo.
De abalos sísmicos temporais e temperamentais (TPM!)
Qual mulher nunca teve seu epicentro sentimental?

E eu permaneço; com a superfície da alma em erosão
Solidificando o que resta-me de compaixão própria.
E você continua; com essas (de)pressões sedimentadas
Em uma pele em relevo tão irrelevante.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Duo-Só²



Uma dó de dor sem ter mera cor
Desata este nó de ser tão só
Repleto de vazio pelo avesso.
Acasala esse eu ainda disperso
Que caminha sem regresso
Do lar de onde tenta tanto sair,
Do lá que busca ao menos existir.
Aprochega perto desta longitude
A ânsia insalubre da solitude
De querer um afago vizinho,
Abriga este teu eu sozinho
Aprendiz em destinatário de carinho.
É o querer de um outro alguém
Com a licença dita por ninguém,
Duplicata soberba pré-assinada
Pelo apego de quem condiz ao nada.
Dotado é aquele de via singular
Que umedece o atrito de cada par
Ao bel-prazer no quesito particular.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Arca Caída



Ao que tudo indica no implícito,
Minha munição palavreada não possui
Um respectivo "público-alvo".
Habeas Corpus concebível a poética
Ela sim, com todo seu direito de ir e vir
Pisoteia minhas vértebras de (con)junções
Por mais esquelético que tal escrito seja.
Esta corcunda teme o peso das palavras
Pois o reclinar tende a sentir o dor(s)o de ser
Aquilo que des(d)enha tais lombadas
Em meio a tantos versículos semi-métricos.
Mesmo que o poeta de estômag(r)o vazio
Consiga digerir a sacarose da vida,
Ainda engole todos aqueles azedumes
Que migalham as so(m)bras de anti-ontem.