quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

All lá


De início, o coração é algo metafórico
Tanto que, os professores omitem isso.
De fato, as exemplificações circundam
Neste caso, a uma definição normativa
Porém, o amor é também um paradoxo.
Logo, me parece ser um tanto metódico
Pois, a gramatização delimita até a vida
Assim, os alunos desproveem o poético.
Com isso, ocupa-se com as dissertações
Ou seja, com um distanciamento escrito.
Contudo, professorar é ir pelos detalhes
Isto é, problematizar nossas intimidades
E quem sabe, raciocinar pelo sentimento.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

I TU?


Sobre nós:

Sobra.
Sofre.
Sopra.
Só!

Um ar.
Um A!

Letra.
Litro.
Água.
Égua.
Íngua..

Como dói está dentro do outro!
Nas juntas,
Junto na janta.

Ter comida...
Ser comida...

No nosso amor, antropofágico.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Cópula


Já fui do tipo de poeta que, esquerdo
Não sabia escrever um verso, direito.
Masturbava até o gozo de ser palavra
Para que meu coração excitasse outro
E neste caso, um leitor ninfomaníaco.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Boêminha


Bêbado, eu te beijo
Vomito outro amor
Ontem ressaqueado
E hoje, entorpecido.

Os versos gaguejam
N'outro bafo de voz
Meu ser, desmaiado
Já coberto pelo chão.

Cambaleio até você
Tropeço na tua boca
E me embriago mais
Nesses dois gargalos
Meu e seu, bebemos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Enquadramento


Spielberg que amava Kubrick que amava Allen
que amava Bergman que amava Tarkovski que amava Buñuel
que amava só e surrealmente.
Spielberg continuava com sua Inteligência Artificial, enquanto Kubrick fotografava outros sons,
já Allen neurotizava algumas piadas, nisso Bergman filosofava sobre o silêncio,
onde Tarkovski poetizava também aquela Nostalgia de Buñuel que concomitava algo com Dalí,
este que por fim, ainda estava em outra arte.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A tragédia que é o amor


Eu, que te espio pelo trinco
E ouço então pelas paredes
Um ronco, logo do teu peito
Que hospeda o meu coração.

Meu bem, fui embora ontem
Antes mesmo deste escrever
Que de alguns versos, partiu.
Nem sequer vale outro adeus
Para quem um dia, pertenceu
A um outro alguém fora d'eu.

Mas caso queira minha volta
Sinto em lhe dizer como não.
Pois o meu amor segue longe
Algo distante de mim mesmo
Porém te leva sempre comigo.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

The Doore's


¹O corredor da tua veia
Pulsa outro sangue
E que jorra pelo chão.

²Não escolhi ser morto
Foi apenas um acidente
E o culpado não fui eu.

¹Quantos dizem o mesmo...
No caso, viver já é errado
E por enquanto, só oremos.

²Mas diga, orar pra quê?
Se Deus é na verdade meu réu?
E crer nele é meu único pecado?

¹Não diga tantas blas.fêmeas!
Você é Deus dos seus próprios atos!
Ou seja, um demônio para os outros!

²Ok, admito em mim
Que morri, e perdi também
E que me resta um último desejo
Para terminar esse vício.

¹Vejamos então...
Pelo o que consta aqui
Sua derradeira vontade era morrer
E por fim, um caso encerrado.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A Islândia que há em mim


Mora uma Islândia em mim
Ninguém sabe disso
E nem precisa,
Apenas eu
E a Islândia de poucos.

Existe uma Islândia em mim
Sob o sangue quente
E a pele pálida,
De uma Islândia
Em si.

Por incrível que pareça
Nunca fui à Islândia
E não há motivos para isso,
Por que ela - a Islândia
Sempre esteve em mim.

Pois, no mais gélido coração
Há sempre uma Islândia
Prestes a ser descoberta
Vivenciada
Por alguém, Islandês.

E, se há uma Islândia em mim
Não tem como negar:
Que sou também ilha
Um corpo d'água
Perto e distante
Da Islândia, enfim.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Art Deprêt


        Tudo hoje é arte. Blah! Quanta idiotice nessa coisa. Como assim? Um amontoado de risco agora é também, arte!? Na próxima vez, trago meu cão - aquele diabo de quatro patas, empesteado de pulga e sarna. Ah, como ele faria uma festa nesse chiqueiro... E como gosto dele, mais do que essa gente toda. É um vira-lata bem domesticado. Caga no jornal, na manchete do dia e até nos classificados. Digo que o amo. Ele sabe bem que vou direto pra seção de quadrinhos, o pouco que leio ele não caga. Existe prova maior que essa? De que meu cachorro é gente? Digo, civilizado porque gente é gente e ponto final! Não presta. Caga em si e nos outros. O meu cachorro não. Ele caga consciente, sem medo. Diria até - uma etiqueta anal, que falta em muitos cus por aí, ou seja, uma verdadeira bosta.
       Mas voltando em mim: apuro minha vista só pra ver essas janelas, que mais parecem jaulas de tão sujas que são. De tinta ou de cor, entendo quase nada. Porra nenhuma. O que vejo é só uns doidos, isso mesmo, um povo véi atoa que se diz "artista". O que é ser artista afinal? Só isso? Nem precisava dessas aspas. Puta que pariu! Lá vem alguém! A-L-G-U-É-M! Meu Deus, um daqueles chatos! (Um porre...) E como eu gostaria de estar bêbado, sem mais nem menos. No grau, como dizem. Parece que ele vai dizer alguma coisa. E agora? Pense... pense... pense... Ah, esqueça! É só mais um idiota, vamos lá:
          - Senhor... disse ele. Me encarou como arte, pelo jeito eu não era o único. Ele continua, suspira e diz - O que pensa sobre arte? Nossa, que pergunta mais sem nexo. Arte... arte... arte... De novo arte. Ele não sabe que arte é para os burros!? É até ofensivo com os equinos. Enfim, vocês entenderam. Ele simplesmente formulou uma frase que com arte-e-pensamento. Meu filho, arte não pensa. Arte é arte e pronto! Pare de inventar coisas, o que precisava ser feito já existe. Ou você se acha Deus? Mas não, não irei te responder assim, num amontoado de diálogos. Só penso, mas sem arte.
       Mas ele retruca, insiste pra caramba. E na verdade, ele merece uma resposta - convincente, direta e logicamente minha. Ok, vamos lá. Olho pra ele, já não aguentava mais olhar todo aquele caos com nome de arte. Nem preciso repetir isso, mas enfim. Voltando: ele tem alguma expectativa, posso até dizer, um certo otimismo. É de se pensar que alguém ali - numa Galeria de Arte (grifos meus e sarcásticos) para que se imaginasse algo. E lá estava eu - perdido e entediado. O que uma curiosidade não faz... Para nunca mais! Mas sobre nossos olhos e olhares, disse o que precisava ser dito. Um silêncio cessou entre nós. Pronto! Agora eu vou, literalmente. Ele fez a mesma pergunta. Por fim, me pareceu idiota rebater a tal pergunta com outra pergunta. De fato, a minha pergunta encerrava qualquer continuidade, algo paradoxal. Era o que eu precisava. E da minha boca repentinamente sai: onde fica o banheiro? Hã? - foi essa a reação do rapaz de gravata borboleta e botina colorida (não vou pensar em outros detalhes). Por logo, 'i'mendei: preciso também minha Arte (maiúscula mesmo) se é que você me entende.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

I'm-par


O meu olho - que não só vê
A tua boca - então alimento
Dessas palavras - ou outras
O quanto sou - e o que falta.

Lá vem você - toda imagética
Que nem se parece - apenas é
Algo que me surge - como luz
Num instante - já é o bastante.

Escrevo - não há justificativas
Para que eu diga - em silêncio
Toda dor e toda vida - não sei.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Cirandarilha

Outro poeta adiante:
De perigo constante.

Este verso asfaltado
Escreve ao teu lado.

No meu peito afundo,
Escurece-se o mundo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

All ter n'ativa's


Em quais corpos eu me aproximo mais?
Quando essas mãos conversam entre si?
Com quantas bocas se fazem um beijo?
De que dentes preciso para um sorriso?
Quanto dura meu abraço de despedida?
Se a vida for apenas a espera da morte?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

:DDD


O velho mais novo
De novo,
E de novo...
E, de novo.
N'ovo
Vô'o
V...

Desde já:
O meu muito obrigado.
- De nada!
E disponha
No lugar,
De tudo.

Deter
De ter
O que
Detetive
Dedetizado.

&

Dever
De ver
Ou
Rever
De, novo.


The I
The t0o
Th' el'x
The noz
The voz
They me.

A pax
Outra era
Uma vez.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Olhoscópio


Escureço
Na visão.

Olho-me
Por fora.

Para ver
Um cego.

Onde eu
Espelhei.