quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Impressionáveis


Éramos então começo, meio e fim
Não necessariamente nesta ordem
Uns lápis de colorir, a mesma cor.
Num rascunho de vida sem clímax
Ou de qualquer ferida tão rasurada.

Brotava daqueles dedos sutis
Tal tonalidade aí inexistente
In:densa como as inspirações
E expirações ofegantes de si.

Desta nitidez quase invisível
Recheada de tamanho vazio
Os olhos vestiam a cegueira
De um corpo cru quase meu.

É preciso falsificar certos sentimentos
Encolhidos em meio a tantos esboços
Ao rabiscar um belo sorriso no rosto
Sem borrões de lágrimas sobrepostos.

Em cada traço cria-se um laço de afeto
Doando tudo aquilo que não tem mais
E com todo o brilho de uma escuridão
Vai maquiando outro papel em branco.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Grama-temática


Diversificar o verso do (in)verso
Versus as versões não-versáteis
Substituir o substantivo de tal substância
Submissa ao teu (sub)consciente.

Meus parabéns aos paradoxos da cuja paroxítona
Paralisada por estes dedos paralíticos
Próxima parada: paradigmas (e dignas) da paráfrase!

Onde sinta-xe à vontade de ficar sem pressa
Em uma terra de orações subordinadas desCRENTES de si
De sujeitos o-cultos em meio de tanta sujeira.

Que adjetivam indiretamente o caráter alheio
Virgulando pausadamente todos os pontos de vista
Perdendo toda aquela infinitabilidade das reticências...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quadrante

Aquele que têm o/um mundo inteiro dentro de si
Que ousa-se ao lacrimejar com as palavras

Ao ponto de não ter a intenção de comover as pessoas,

Mas sim comover as almas livres por ai a fora.


Paraliticamente dançável no volume mínimo
Enuncia o discurso com o auxílio da tecla MUTE,
Minuscaliza seus versos e sussurra seus cânticos(...)
Sem incomodar o (mundo-) vizinho que mora logo ali ao lado.

Era o silêncio que falava mais alto
Internalizando toda aquela persuasão
Tornava-se sua melhor e/ou pior companhia de si próprio
Pois o par da dança de salão de hoje eram apenas seus sapatos de fino-trato.





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Poeta de aluguel


Procura-se um poeta de aluguel, daqueles de carne crua
De calos transpirantes e dedos inquietos
Que habita os lugares mais sóbrios desta cidade
Sem tantos atrativos e sem nada para oferecer a ninguém
Carregando consigo poemas esmagados sob o peso de todas as coisas.

Um homem de pouca fé: sem fé em si e principalmente sem fé nos demais
Temente aos próprios devaneios que o perseguem
Incapaz de curvar-se para um altar qualquer com aqueles joelhos inchados
Santificado seja teu nome poeta desconhecido!

Lembra-te de todas aquelas palavras engolidas em seco
Das rimas baratas que não lhe valiam algum tostão
Que nada garantiam o pão nosso de cada dia que nos deram hoje?
Pois bem, são desses sonhos que fazem as refeições diárias dos poetas...

domingo, 30 de outubro de 2011

Sem remetente, sem destinatário



O hábito de receber cartas havia se perdido nessas redondezas
Tempos esses de seca aos aspirantes e inspirantes a sonhadores
Que tinham suas caixas postais vazias, mas cheias de esperança.
Tão mero seja aquele que tem o martírio do peso das palavras:
Eis então o carteiro - que tinha em si todas as poesias de gaveta.


Mas ele tinha uma garota aparentemente nula aos olhos alheios 
Que tinha como selo postal uma marca de batom rubi na boca
Um envelope perfumado em volta do corpo com outro aroma.
Até parece que logo ela encomendaria um amor tão extraviado
Duma incorrespondência que o carteiro entrega-se ao escrever.


Aquele pedido descompromissado teria então outro destinatário
De um admirador secreto que preferia ser anonimato do silêncio
Que talvez saísse daquela embalagem feita de timidez tão escrita.
Desempacotasse todos aqueles sentimentos num único endereço:
O coração dela, sem qualquer remetente ou mesmo destinatário.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O clima do clímax


Toda segunda-feira deveria ter sabor de feriado
Com cheiro de grama molhada recém-aparada
Para lambuzar os pés desnudos no lamaçal do quintal.

Procurar uma sombra fresca sem frescuras
De um ombro afago como de um velho amigo de infância
E aceite brincar de esconde-esconde no escuro.

Que repare as tonalidades de azul espalhadas pelo céu
O quanto nossos olhos são capazes de absorver
E a tamanha cegueira que nos fere lentamente.

Ter uma bicicleta que pedalasse ao contrário...
Ao in-verso: retroceder um pouco tão distante de mim
E sentir novamente aquele gostinho de joelho ralado.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ócio Criativo



Queria ter inventado você nem que fosse por apenas um breve momento
Tal hiato criativo impede-me de criar musas de inspirações expiradas assim
Pois nada é tão formidável como ter uma vida supostamente imaginária,
Pena que tudo isso não passa de fermentação cerebral
Falta-me aquele ócio produtivo e aquelas ambiguidades que pertenceram a ti.


Queria ter sensualizado essas silhuetas para deslizar-me em tais curvas
Milimetricamente a todos seus ângulos retos e oblíquos que te compõem,
Bendito seja esse fruto proibido que pertence ao teu ventre
Que alimentara este pecado corrosivo para uma carne tão frágil como a minha.


Queria ter sonhado contigo novamente nem que fosse pela última vez
Reprisar todas aquelas peculiaridades e tudo aquilo que havia em nossa volta
Guardar todos esses pensamentos privados em poemas de gaveta
E finalmente ficar um pouco fora si para estar um pouco dentro de ti.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Infanticídio



Crianças no quintal cantarolam suas cantigas de roda para pessoas quadradas
Sem nenhum pudor de furtar aquelas tulipas do quintal do vizinho rabugento
Pois tocar a campainha do mesmo já não surtia mais o mesmo efeito.
A casinha de tábua no cume da árvore permitia uma visão panorâmica de tudo
Nada escapava do bode expiatório daquelas ovelhinhas negras da família
Desde as nuvens maciças que modelavam-se em infinitos seres e formas
Até as estrelas cadentes confundidas com Ovni's.
Mesmo silabando, escreviam (agramaticalmente) certo por linhas tortas
O Bê-A-Bá não acompanhava mais toda aquela melodia do Tim-Do-Lê-Lê
Pois o único amigo-imaginário das criancinhas era Deus.




sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Palavra incantável



De fato, era assim que ele começava muitos poemas:
Sem compromisso consigo mesmo ou com os outros
Não amava e nem chorava, não falava e nem refletia
Apenas escrevia-se como um ingênuo-crédulo-cético 
Marginalizando a carne e anarquizando todo espírito.
Era só mais um figurante de toda dramaturgia vivida
Que contracenavam reprises de sonhos interrompidos
De outro dia que resiste em amanhecer-se até então.
Neste caso, não tinha aqui tantas musas inspiradoras 
Apenas observava sem dedicatórias ou homenagens
Aqueles aplausos rítmicos que espancavam sua paz.
Fazia malabares com palavras soltas aleatoriamente
E sem perceber a estrela que adentrava em cada eu
Só preferia mesmo catalogar essas rimas incantáveis.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Eu-líricação¹



1: Oh céus, ultimamente não sou o mesmo de sempre...
2: Poupe-me de tantas parolagens Sr. Eunuco!
1: Minha hipérbole causa repulsa em ti?
2: Não meu caro, mas tal bucolismo é incompatível a teu ser.
1: Será que não vê os estilhaços de alma pelo chão?
2: Sou um crédulo cético diante de tuas metáforas...
1: Perdoe-me, imaginara que fossem trocadilhos para não-filósofos.
2: Pare de entorpecer meu cérebro!
1: Tudo bem, seus nervos merecem entrar em transe.
2: Menos mal, só assim decifrarei este teu código cromossômico.
1: Mas tente desvendar tal enigma perpétuo.
2: Diga-me, eis aqui o oráculo predestinado a tuas perguntas!
1: Vamos lá então; o amor não foi (inventado) feito para sermos felizes?
2: Bem...(WHAT???) responda-me algo antes de tal feito...
1: Sim, o que desejas saber sobre este sonhador vulgar?
2: Pois bem; jogastes todos teus calmantes/alucinógenos fora?
1: Isso não vem ao caso por acaso! (diga-se isso de passagem)
2: Aconselho-te a repousar sobre teu leito, teremos consulta amanhã pela manhã.
(Espero que não tenha manuscrito isso como um laudo psiquiátrico)


domingo, 21 de agosto de 2011

Vadio Puritano


A cafeína não surte efeito diante das memórias fragmentadas,
No vácuo contínuo dos paradigmas de noites inacabadas.
Significados insignificantes enfatizam minha alma despida,
Sem nenhum pudor explicito vanglorizo a madrugada boêmia.
Os goles de vinho não satisfazem mais as aventuras do ilustre canalha,
As mãos pegajosas envolvem-se na relevância da taça límpida.
Paranóias obscenas perpetuam minhas emoções inertes,
Demônios sobrevoam sobre meus pesadelos ingênuos.
Minha filosofia fajuta conforta-me nas indagações irreais,
Declamando as problemáticas de um velho andarilho sóbrio.
Meus passos mansos contornam as esquinas soturnas,
Esquivando-se das lombadas dessas vielas esburacadas,
A calçada imunda abriga-me em seu leito sereno.
Meus olhos sonolentos acompanham a nostalgia do doce luar,
Em contraste com as luzes ofuscadas dos postes solitários,
Reluzentes ao brilho das estrelas incandescentes.
Ainda assim prevalece o espírito de um viajante sorrateiro,
Que não passa de um tímido forasteiro vislumbrado a monotonia,
Caindo nas tentações mundanas desse paradoxo surreal,
Fugindo do marasmo constante de um vadio puritano.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Perfilizando


Eis aquele que sonhava em ser um gênio, mas todos creditaram como um mero louco. Assim de tantos supostos boatos, o mesmo louco ficou; mas quem dissera que ele não tornara um gênio ?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

João de Barro's



A silhueta esculpida na mão veluda
Acariciando qualquer tipo de atrito.
Era dos calos delicados do artesão
Que surgia ali tal obra-prima de si,
Num parentesco até então distante
Surgia-se um ser estático e áspero:
Eis aqui os homens feitos pelo barro
Com tantos sentimentos modeláveis
Atrás de uma pelanca de porcelana!
Sinto muito pelo coração de pedra
Nem o artesão é capaz de lapidá-lo
Ou dar a vida a algo tão sedimentar.
Só se concretizasse todos os sonhos
Num corpo mesmo que sólido e oco
Que de dor sentia-se assim, poroso. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

World in Word


Em um dia qualquer, aquele jovem atreveu-se a mudar o cujo "mundo". Mal ele sabia que todos os olhares alheios virariam contra ele e que o mesmo iria fracassar. Em outro dia qualquer, aquele mesmo jovem conformou-se que NÃO poderia mudar o dito "mundo". Mas mal ele sabia que todos os sonhos coletivos que tanto almejava não poderiam fracassar. Tanto que em um outro dia NADA qualquer, aquele jovem acabara dando a luz a sua obra-prima: o SEU suposto "mundo". Mal ele sabia que todos aqueles olhares alheios e o cujo "mundo" que tanto desejar para si era minúsculo perto do seu PRÓPRIO "mundo" que aquele mesmo jovem projetara.

domingo, 14 de agosto de 2011

Notas Incompletas¹


Meus pés são incapazes de tocar estas fronteiras imagináveis, percorrer distâncias que jamais foram percorridas por este pobre coração afugentado. Tal mente conturbada destorce o que seria teu desconhecido comum, tanto que indaga sobre o teu ser. Minhas mãos trêmulas condizem a essas breves linhas que rascunham a tal esperança fúnebre que ecoa por ti mesma, saciando tais anseios que preenche esta tua lacuna. É tua audácia menosprezar os cânticos que cantarolei a ti, as poesias que declamava a tua pessoa. Descartadas como palavras ocas ao vento, tal lirismo fracassado não acompanhava o ritmo da tua musicalidade, que ainda flutua nos meus devaneios noturnos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Filosofia de janela de ônibus



Olhos vidrados e estáticos
Congelando cenas jamais censuradas
Teatrando a doce dramaturgia em tempo real.
A quem diga que o mesmo vivia no "suposto" mundo das nuvens
Que empanturrava seu estômago com borboletas voadoras
Mal sabiam que tudo isso não passava de parolagem.
Aquelas terras pisantes descativaram o ingênuo jovem
Mudança de ares e mudança de estações era aquilo que desejava.
Sentia-se trancafiado em um cubo mágico degradê
De cristal tão límpido como a alma que transparecera
Criando seus prismas ópticas dentro de si.
Por ventura arriscava em ideias sem métrica e sem musicalidade
Intitulava-se como uma "poesia incompleta"
Inadequada aos prazeres estilísticos.
Tudo isso por conta de uma mera frecha de janela
E uma boa dose de eu-liricação.


domingo, 31 de julho de 2011

The Like (laico)


Ora bolas, eu nunca dissera que aprecio o par de olhos dela
Apenas entusiasmo-me com aquelas pupilas dilatadas
Que veste-se de uma carapuça de luneta
E aponta para um vácuo que representa um todo (fracionário).
Jamais mencionei algo relacionado a boca daquela donzela
Mas é notável o quanto seus lábios franzem
A ponta da língua toca os dentes e umedece
Ao ponto de cantarolar seus próprios sonetos.
Também não citei nada sobre a pele da cuja moça
Só indaguei sobre seus pelos arrepiados nos dias de frio
Na veludez de manusear a mera caneta de estimação
De evitar o atrito com sua singela polidez.
Afinal, eu nunca dissera que estava apaixonado por ela
Falei que gosto do chão que ela pisa
Das pegadas fundas fincadas ali
Pois o vento tem o privilégio de apagar tais rastros.




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Fly


És (my) Ícaro com seu par de asas de cera
De tantas epopeias jamais lidas,
Sobrevoando as luminárias que te ofuscavam.
Empanturrado de fantasias
Erga voo menino-pássaro!!!
Fuja da tua gaiola...
Achavas que poderia tocar o céu???
Peitos inflamados e braços dilacerados...
Lança-te neste penhasco!
Encanta-me com tua ousadia,
Pois teu lirismo já me seduz.
Despenca-te das alturas
Meus bruços suavizam teu repouso (re)forçado
Flutua-te doce sonhador!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

In:Sônia


E a boca estava dormente de beijos
Brotavam-se ali os últimos bocejos
Vendo que seus olhos enferrujaram.
Caçoando de todo desfecho noturno
Ela não quis sofrer em outra oração,
Não lhe abriria uma janela na mente
Para que a pudesse entrar em pânico.
Talvez, aqueles calmantes tão vazios
Dum cujo sonho, então interrompido
Vegetassem a carne numa dormência. 
Tinha consigo alguns minutos adiante
Prestes a eclodirem pelo despertador
O que era afogamento de cama afinal.
Horizontava o corpo a fim de morrer
Em estágio terminal de coma, comigo
E devorando em si, a volta da insônia.

sábado, 9 de julho de 2011

Musa de Carroll



Malditos ponteiros que nunca descansam
Mas afinal, onde está meu relógio de bolso?
Ou melhor, por onde andas aquela doce menina com olho de gênio?
Coma-me e beba-me! (Comunhão?)
Por enquanto, minha maçaneta está emperrada
E a porta um pouco empenada.
Ora mocinha do outro lado do espelho
Do rostinho trincado
Podemos até repousar sobre aqueles cogumelos
Recitando teus poemas.
Descafeinado em um chá chorado
Garotinha entorpecedora de olhares
Eis aqui um maluco sem chapeleira, carregando sua mera cabeleira.
Ás vezes, teu sorriso tão Cheshire contagia-me
Pois não existem bosques perdidos sem teus cabelos
Oh menina com aroma de biblioteca
Deixa-me desbravar teu mundo
Repleto de sonhos como os meus.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Armstrong's


Perdoe-me Armstrong...
Quem me dera ter teus olhos cintilantes,
Para vislumbrar tal elipse incandescente.
Espeta-se tua bandeira patriota,
Não que a gravidade impeça de permanecer trêmula.
Mas desculpe-me Billy Joe...
Talvez eu não seja tão "American Idiot",
Nossa alma sem atmosfera está espacialmente USAda.
Nada como sonhar em ser um sonhador...
Satélite com problemas dermatológicos e psiquiátricos,
Vivendo de fases e faces constantemente.
Eis aqui um velho lobo uivante...
Que faz Moonwalker não-dançante,
Que acredita em Crepúsculo sem mencionar Edward e Jacob,
E cega-se com aquele ponto nulo no céu (.)
Queria ao menos ser um pouco minguante...
Pois nada de mim esteja em forma crescente.






quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cafuzo Confuso


Um balancete abduziu aquele caboclo,
Matuto calejado de enxadas e inchaços contemporâneos.
Ele ainda não quer amanhecer, (é dia?)
Prefere contar feijões mágicos do que inocentes ovelhinhas.
Prometera que este final de semana podaria seu pomar,
De ditos frutíferos que já foram de uma boa safra...
(Basta-me de tanto bucolismo!)
Proseava sobre os inúmeros habitantes de milharais,
Não bastava confessar-se com aquele velho espantalho,
A benção lhe rendia ao menos algumas auroras boreais.
Deslumbrava um céu pontilhado,
Nunca saberia contar e problematizar tais anos-luz.
Só sabia apontar sua luneta oftalmológica para determinado ponto. (.)
Capaz de ao mínimo de cavalgar sem seu pangaré,
De fato, o mesmo não era um unicórnio invisível.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Porcos Famintos


Alimentados por cérebros comestíveis,
Os espíritos são digeridos em instantes.
Cabeças inocentes serão servidas no banquete,
Carnes vivas estarão no cardápio macabro.
Garfos e facas perfuram e cortam as fatias de vida,
Pratos continuam cobertos de sopa de sangue.
A mesa está preparada para o ritual satânico,
Várias taças brindam a luxúria nobre.
Será servido um vinho impuro de sabor amargo,
Capaz de saciar a sede de vingança.
As migalhas serão devoradas pelos ratos do subúrbio,
Enquanto as tripas envenenadas serão expostas aos corvos.
Os estômagos estão empanturrados de lavagem industrial,
Guloseimas decompõem os organismos imundos.
O caldeirão está repleto de ossso podres,
A refeição foi preparada com doses de ganância.
Vômitos se espalham pelo chão raso,
Misturando-se com a saliva escura.
O instinto cruel prevalece sobre essas almas ocas,
Sua fome é compensada com virtudes banais,
Triturando os rastros de lembranças existentes.

Auto-Suicídio


Os vestígios de vida que sustentavam a minha alma,
Foram consumidos pelos espíritos invejosos.
O meu corpo está deformando-se aos poucos,
Diante aos olhares falsos que me cercam.
Eles apreciam meu sofrimento na platéia dos ridículos,
Aplaudem como se fossem marionetes macabras.
Ouço sempre as mesmas vozes que perturbam meu sono obscuro,
Incentivando-me a pular em um abismo de ilusões.
São carrascos cruéis que esperam seu grande momento de glória,
Decapitando-me como forma de demonstrar o verdadeiro sistema,
Que induz ao processo de destruição incondicional.
Percebo agora minhas mãos lambuzadas de sangue,
E os suspiros de alívio que compõem minha angústia.
Construo barreiras rígidas para manter meus princípios intactos,
Mas minha atitudes continuam presas as correntes sombrias.
O vento venenoso percorre minhas narinas,
Enquanto o sabor da morte toca os meus lábios.
Estilhaços de vidro perfuram minha garganta,
Meus olhos estão cobertos por marés de lágrimas.
Carrego uma lápide fria dentro do meu coração,
A paixão proibida me conduz esse desafeto emocional.
Tenho como companhia as lembranças que quero esquecer,
Momentos que se dissolveram no passar do tempo.
Minha alma ainda permanece manchada,
Marcada pelas cicatrizes que nunca se curaram.
Procuro as respostas onde não existem perguntas,
Vivo uma loucura alienada sem fim,
Despertando um ser suicida dentro de mim.

domingo, 27 de março de 2011

Homem Chaminé


Dejetos de Maria-Fumaça, dejetos de Maria-Fumante,
Trilhagem de pulmões incapazes de sucumbir tal ar rarefeito,
Que mal chega a tua massa cinzenta.
Motor a vapor ou Homem a vapor?
Eis a questão...
Talvez este cinzeiro não sirva para corpos cremados.
Não que isso tire o formalismo de um traje refinado como o Smoking,
Ao tom de conjugar sutilmente o verbo smoking. (Speak English?)

Mãos trêmulas emaranhadas de dedos...
Dedos aptos a conduzirem canetas e maços.
Onde está o cordão umbilical que prende a ti Homo Fumus?
Boca muda que inspira e expira; (ofegante)
Inspira tuas musas inalantes,
E expira-se teu tempo.

Pois o Ministério da Saúde adverte: (e se diverte)
Fumar é para fumantes,
E não para astros de Hollywood.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(Des)Cafeinado



Quantos torrões meu senhor?
Ou preferes um adoçante?
Sabes que a asa da xícara em incapaz de voar, (será?)
E que o pires não sustenta teu cansaço.
Beba-me, pois este é meu sangue que foi derramado por vós,
Nem que seja em goles tão secos,
Em atrito com tua boca.

Quantas colheres meu senhor?
Ou no momento, necessita-se de uma faca?
Talvez tal bebida permaneça amargurada,
De tantas ideias borbulhantes,
De paixões que se prevalecem mornas.
Então navegue sobre as águas deste Mar Negro...
Tão negro como teus pesadelos.

Cappuccino meu senhor?
Ao invés de beber pelo gargalo do bule?
Pois a cafeína lacrimejada já escorre pela garganta áspera,
E a borra já entope teus orifícios.
Espero que não morra de tuberculose em plena madrugada...
Coffee, Coffee, Coffee, Coffee, Coffee! (tosse)