terça-feira, 28 de agosto de 2018
Uma hora a gente parte
Uma hora a gente parte:
O pão dividido com alguém
Ou indo para outros mundos.
Uma hora a gente parte:
O coração de quem se gosta
Ou fica entre o bem e o mal.
Uma hora a gente parte:
E não olha mais para trás
Esquece o que já foi aqui.
Uma hora a gente parte:
Por mendigar sentimentos
Em busca de algo e alguém.
Uma hora a gente parte:
Pela nossa essência nômade
Ao ir sem saber onde de fato.
Uma hora a gente parte:
Voltando velhos caminhos
Neste novo, que se repete.
Uma hora a gente parte:
De tanta vergonha por si
Mal sustenta ficar os pés.
Uma hora a gente parte:
Mesmo sabendo da dor
Que surge na despedida.
Uma hora a gente parte:
Não por querer abandonar
Mas pela livre de ambos.
Uma hora a gente parte:
Que nem mais faz falta
Vamos dessa para uma
Melhor-pior e segue só.
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
A poesia silenciosa
É devagar
Que se faz
Um poema
Em silêncio.
Cada
Olhar
Surge
Como
Velho
Novo.
É devagar
Ao ponto
De parar
O verso.
Cada
Data
Não
Dita
Dói.
É devagar
Este poeta
Ao morrer
Subjetivo.
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
In Memoriam ao Eu
Talvez isso me sirva
De poema na morte:
Pra que os próximos
Errem o amor triste
Numa poesia mista
Entre o dar e a dor
Que não se encerra,
Mas apenas adentra
O tal vazio repleto
De posterioridades
In Memoriam ao Eu.
Mas apenas adentra
O tal vazio repleto
De posterioridades
In Memoriam ao Eu.
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Sentimento sedimentar
De tijolo em tijolo
Fui construindo
Minhas costas.
A dor
E o peso
Delas em si
Mal me suportavam.
Abro-me
As vértebras
Uma coluna em espiral
Nessas articulações tão engessadas.
Todo trabalho
Num fardo carregado
Não é o mesmo que outros.
Ora, um grão
Outrora, tal existência
Ambas sacrificam o meu ser.
Este, de carne dura e ressecada
Que mal consegue balançar
O pó de cimento
Atrás de si.




