quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Sobranome


Esse poema
Deveria ter
O seu nome.

Melhor não
O bom é ler
Em segredo.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Comesou


Oi, eu sou um poema
E nem por isso existo
Quando meu teorema
Acabar em algo misto.
E não é a rima de mim
Que fará de você: todo
Basta sentir-se no lodo
Um outro verso, enfim.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Drummundo


E se o coração está vago
Procure alguém ao lado
Do tipo que vê no outro
Aquilo que a ti é pouco.
Teu amor mora logo ali
Perto de quem irá abolir
A falta do beijo atrasado
Ou o desapego abraçado
Que em nós vira bocado.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Poetético


Ele de tão poeta
Foi lá e morreu.
Vive nos outros
Um ser póstumo
Que eterniza-se.
Não sobra nada
Nem mesmo eu
Aquele ou leitor.
Afinal, só somos
A suma de sumir
A soma do sumo.

domingo, 26 de outubro de 2014

Many mamy


Mãe, eu quero nascer sozinho
Não quero a dor do teu ventre
Ou sentir o coração apertado.
O seu filho morre mais poeta
Escrevendo noutras lágrimas
Aquilo que só a senhora sabe.
Eu, entre tantos primogênitos
Engravidei algumas palavras
Para lhe dizer enquanto amor
Algo mais calado, mas só seu.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Poeman


Explique o poema
Complique a mim
Verso porque sou
Verbo porque são
Menos do mesmo
Mas sem ter mais.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Miniografia


Eu monocromático
Vou xerocopiando
Algo frente e verso
Todo encadernado
Em carne camurça.
O papel dupla face
Que em mim é só
Imprime teu rosto
Num outro banner
A verossimilhança
Que existe em nós.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Pseudotórax


- Doutor, e o meu apêndice?
- Você deveria ser paciente!
- Onde fica a hospitalidade?
- Aqui não se cura a morte!
- E nem com eu(tá)náusea?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Codinome: ninguém!


De poeta eu não tenho nada
De mim só tenho esse nome
Que, em cada característica
Se personificar por extenso.

Sou do tamanho que escrevo
Um metro e oitenta de outros
Deitado no papel então vazio
À espera de qualquer palavra
Tão lida em corpos retilíneos.

De fato, a magreza me esconde
Pois, peso toneladas por dentro
E meu ser ossudo enche a alma
Engorda este coração estranho
E que desconhece enquanto só.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Ex it


Escrever é
Ou só isso
Afinal, ser
Também é
Vice-versa
Eu, apenas.

Apoca elipse


Não há nada em mim
Que possa ser eterno.
Escrevendo, não sou
Nem mesmo escritor.
Aqui são só palavras
Que logo excederam
No vazio que é, e só.

domingo, 12 de outubro de 2014

Fragmentes#2


Você é direita
E eu esquerdo
Nós aos lados
Um de dentro
O outro afora
(Meio a meio).




Fragmentes#1


E quem não morre?
Num amor outrora?
Afinal, somos dois?
Ou alguém em nós?