domingo, 25 de agosto de 2013

O beijo no ralo


Assim de bruços, lá estava ela a minha espera
Veio até mim para por fim no que já não era,
Por acaso, não senti aquele estrago que te traz
No corroer dos passos de quem quer ainda mais.

Padeci sobre teu salmo, ensaiei meus prantos
Paguei o custo que é ser enxotado pelos cantos
Perdi o silenciar da voz, por ventura a rouquidão
O mal que sabe fazer é tanto que acolhe esse só.

Sou eu parcela de ti, no nosso franzir corpóreo
Me fez cárcere deste sentir que ninguém é páreo,
Favores ao mundo que adentram aos tais furos
No convés do peito, se fez a distância em muros.

Como julga o ato de dedilhar essa pele suada?
Sujidades que nego, a beatificação daquela amada
Que suspende os calcanhares ao estiraço do chão
Incendeia meus olhos no fervor acima da razão!
Deste eu acorrentado aos pêsames em vividez.

O princípio não era verbo dos seres mais febris
Na enfermidade do ardor, teve os amores viris
Sem aquele laço frouxo que se fez por um triz,
O que um suspeito sofre no alheio de alguém?
Mais um beijo no ralo, às mazelas de ninguém
Ao menos os males que traz me (e)leva também.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Vice-Eu



Lá vem este tal verso de compaixão
Que recita estes achados de gente
É meu reflexo diante da tua flexão
Mais uma cicatriz com sua latente.

Me senti sóbrio desde o vômito
Exteriorizei o chorume de mim
Fiz daquela súplica algo cômico
Nem precisei chegar até o fim.

Queria ser aquilo que já fui um dia
Sem a dó de ter uma dor contrária
Destas procissões de quem mais ia
Para o lado bambo da tua falsária.

Diga-me na mudez que rege e roga
Quem poderia remoer isso outrora?
Se é de ti que vem toda essa corrosão
No perecer que martela um dito não.

Disponha das falácias que mendiguei
Pode até ser que ostento o intragável
Guardo os entes perdidos que forjei
Tampouco vejo o quanto sou instável.

Vida minha na qual não tem pertences
Deixo aqui meu atestado de insensatez
Para o atraso dos amores em combate
Declinados na cria desfeita desta vez
Nas juras de quem se refaz por traste.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estêncil


Da janela - um refletor
Um olhar - a mesma dor
Quando os dias sobram
Penso um pouco devagar
Não sei, mas já estive lá...

A cama - eis meu refúgio
Com*paixão - um vesúvio!
Diz assim quem se cala...
No tardar de nossas eras
Me entrego a outras meras.

Um cigarro - em seu fervor
Alguns tragos - vem o odor
De sentir e fazer-se tão só
Neste mofo de tentar ser
Que cega para talvez ver.

Aos cacos - virei vidraça
Transparência da desgraça
Que é reluzir a poeira de si
Na "pata" que vai no tapa
E volta no beijo que tampa.

Estampo essa pele tão rugosa
Da velharia por mais teimosa,
O que resulta desta minha fé
Se não quero ajoelhar em pé?
Perdoe-me... Senhor do Amém
Mas sou criador aqui também!

Não espero - o então final
Eu só quero mais um sinal
Que de fato, algo tal houve
Para que a mão ainda louve
O enforcar de nossos dedos
E sele a benção dos medos.
















domingo, 11 de agosto de 2013

Menos que nada


Era preciso se perder em si
Para a vida ganhar um sentido
Como se isso tivesse algum valor
Quando tudo vale menos que nada.

Não se vê o passado como antes
Nem mesmo o que viria depois
Por que isso traduz nossos medos
As vergonhas alheias presas em nós.

Aqui partimos sem querer chegar
É melhor ficar quieto onde tem barulho
Pois é assim que nos destacamos
Em meio a multidão que fica assim só.

O que resta de um todo pode ser vazio
Para quem almeja algum descarte por aí
Sem mesmo impedir seus predadores
De saciarem a dor que é a vida após a morte.

Crenças à parte, fica aqui meu relapso
Das lendas rezadas que ainda falecem
No passar das eras e nos passos do homem
Que suspeita ser algo ereto e alguém errôneo.

Pouco importa se não vou tão longe ou além
Do que vai no pranto e amolece no consolo
O pecado só veio porque tem seus adeptos
Mesmo na falta que fez acima do raso.

Um prato seco para os desjejuns que virão
Borbulha a náusea dos entes excomungados
Nem mesmo uma saudação os salva
Dos soluços que entalam um choro adiado
Que espreitam os cochichos do ali ao lado.

Um sopro abala o chocalho dos ouvidos
É voz que se faz no silêncio que mente
Conta piadas e gargalha alguns dentes
Mas não esconde o canino que rosna
Na boca profana que saliva o néctar
Dos beijos colados como velcros.