segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Na prematuridade de se gerar um poema


Falamos sobre qualquer poeta
Xingamos nossas próprias vértebras
Escrevemos como se isso resultasse em algo
Pleno de ser lido, pleno de ser vivido
Por um falta amena, por um dia obstinado a morrer
Em paz, em espírito santo
Como no princípio que sempre erra
Na dor que nos alimenta sorrateiramente
Nos escombro das vísceras
Expostas, esplêndidas
Sob a luz de um candeeiro
Incapaz de solucionar o brilhantismo
Dos olhos que vagueiam no despejar de uma lágrima
Forte e esquiva por toda parte
Que nos resta, que nos interpela
Os sentidos mais obscuros
As manchas mais plausíveis
De quem sempre espera pelo fim pródigo
Pelo começo extremo
De um poema e um porre
Sem vácuo ou proporção mórbida
Haverá sempre um estilhaço de verso em mim.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Sorrir no sorry?


O amor é mesmo um fraco
Mal sustenta uma negação
De quem insiste ser maior
Que qualquer inconstância.

Escrevo-lhe porque engano
Tua alma rente a minha, só
Sobra de tudo que não falta
No primeiro silêncio nosso.

Calamos os beijos já feitos
Esquecemos mais palavras
Até que não reste tal verso
Para que seja lido em outro.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O amor por fora


Sei que não posso te amar todos os dias
Acordar ao teu lado na outra manhã fria
E dividir o mesmo cigarro antes do café.

Sei que no expediente não posso te ligar
Dizer para os desconhecidos que te amo
Ou escrever aqueles versos desajeitados.

Sei que não vou chegar no horário de ir
Pagar mais um drink para fechar a noite
E te levar noutros lugares que nunca fui.

Eu sei, sou o pior namorado desse mundo
Fico lembrando desses detalhes tão bobos
Que logo são esquecidos ao saber de você.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

No guardanapo:


É até compreensível o simples fato de eu gostar de você
Da forma como manuseia o mesmo cigarro
Manobrando cada detalhe que há ao redor
Entre a fumaça e o fogo que arde
Na língua que profana cada beijo.

Esqueça todas as palavras doces que ouvira de outros rapazes
O meu gosto sintetiza o forte do álcool
E também minha fraqueza de falar algo
Que pareça extremamente desconexo
Do mundo que parece não ter sentido.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Vão dizer que isso é também um poema


- Na verdade
Meu silêncio
Fala por si só
Algo que nem
As entrelinhas
Poderão alçar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Conjunturas


O amor, falha
Quando outro
Diz ser eterno.

O amor escapa -
Na próxima vez.

Despenca no ar
Até arremessar.

Tanta falta...
Tanta alma...

Que mal cabe
Em si mesmo.