terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Pequenitude


O que age com miudeza
Tem sua plenitude
Nos detalhes.

O sopro que lhe é forte
Não abala o sensível
De ser outro.

Fantasioso por natureza
Inteligível pela falta
Que faz em mim.

Alguém que mal lê
As entrelinhas
Que cabem
Num só
Verso.

Viu?

Par tilha


Quando os versos se
Intercruzam
Não há paradigma
Que procede
Uma alma quase
Infligida
De tanto recorrer
Outra falha
Que sustenta em si
A leveza da dor.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A alma quando falha...


É quando me pareço mais nada
Que faço o meu melhor poema.

Um ressurgimento de mim
Uma falta que só completa.

A dor que lhe é vivência
A vida por fim, dolorida.

Nascemos entre o póstumo
E o que aparenta ser eterno.

Noutro verso,
Sempre vazio.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Um beatnik de sofá


Sou um beatnik de sofá
Daqueles que escrevem
Por medo de viver fora
Do alcance de qualquer
Insensatez que persista
Em ser algo no mundo.

Sou um beatnik de sofá
Que aperfeiçoa os erros
Num verso vulgarmente
Despretensioso de amar
Outra alma preguiçosa.

Sou um beatnik de sofá
Sob tal trono escondido
Nos aposentos do corpo
À espera de uma poesia
Que procrastine o verso.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Eu também vou poetar!


Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Tem que fazer
Poema expresso
Eu vou também
Ter que escrever.

Logo vou tirar
Meu verso de gaveta
E também exorcizar
Qualquer capeta
Aí quero ver
Quem vai criticar.

Eu que já fui poeteiro
E nunca tentei ser perfeito
Agora tenho que rimar.

- Fim do primeiro ato.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Vê nus


Sob a espreita do teu corpo
Dedilho cada curva tímida
Que refaz a costura da dor
Numa carne dita em verso.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Sob um quarto de terço


Atravessam-lhe as portas
Num supetão até o corpo
Que contorce os espaços
Em poucos metros de ar.

Me espreito, me inspiro
Pela falta que intercede
A noite cálida e insone.

De um versejo malfeito
Noutra carcaça - opaca.

Não me resta retilíneas
Para traçar meu pecado:

Sou fajuto enquanto ser
Na criatura que interdiz
O silêncio de tal poema.