quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Fofúria
Nossos olhos
Bilaram
Cada bolota
Disposta
A ter
Um ciclo
De amor.
Foi
Nas redondezas
Do teu corpo
Que encontrei
O lado
Mais centrado
De mim:
Aqui mesmo
Dentro.
domingo, 13 de setembro de 2015
Estand'arte
Desculpe,
Tenho uma aversão
Ao verso redigido
Numa mente sã.
Todo poema
Deveria ser com um pomar:
Com frutas para a colheita
E outras podridões
Que adubam o solo
Da sola descalça
Do poeta.
Que de tão assolado
Prefere uma carreira solo
Recitando seus pormenores
Para uma plateia adestrada.
Em suas palmas rítmicas
De bofetes que se calam
Nos tapas que tampam
A alma do negócio:
O show business da vida.
Para uma plateia adestrada.
Em suas palmas rítmicas
De bofetes que se calam
Nos tapas que tampam
A alma do negócio:
O show business da vida.
sábado, 12 de setembro de 2015
Hate'nd
Não há poema que convença
Não ha verso que prolongue
A vida que não acaba por si
A morte que persiste em ser
Algo num fluxo de palavras
Alguém de outra eternidade.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
(Des)desejando
Desculpe se esse poema não for digno
De tua incompetência.
Nenhum verso aqui se direciona a você
Se quer algo
Que outro então escreva.
Nunca te pedi inspiração
Tampouco, beleza.
Pois o meu detalhe vai além
De qualquer elogio
Que remeta sua lembrança
Ainda em coma.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Pique
Deste verso que não é poema
Leio - sem ao menos escrever.
O poeta se esconde na carne
E se rebela num papel vazio
Onde cada palavra preenche
Uma heterogeneidade do Eu
Até seu caminho desandado:
Noutro circulo vicioso de si.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Para bólico
Da preguiça do meu verso
Viver hoje é algo atrasado.
Quanto tempo me resta
Para escrever tal poema ?
Que me coloca numa situação
De desconforto e desiquilíbrio
Perante a alma que não cessa !
Eis que me surge uma dor
Capaz de traduzir ao todo:
O quanto me falta ao escrever
Um dito que recobre o silêncio.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Grand finale
De tantos anos de escroto e escrita
Nunca aprendi terminar um poema.
Sempre me pareceu difícil a ideia
De fechar o cerco com tal palavra
Proferida ao vento como se fosse
Algo que tenha um final previsto.
Me sinto incapaz para o último verso
Uma sensação de impotência poética
Capaz de criar um desfecho tão falso
Que nem mesmo os mais anarquistas
Poderão deduzir minha falta de alma.
Escrevo por uma questão fragilizada
No sentido que deixo um texto vazio
Sem qualquer mérito para pontuação.
(E é sempre nessa parte que eu acordo
Morro outra vez - para não ter clímax)







