sexta-feira, 13 de julho de 2012

Epidermia


Onde estão as abas de minhas orelhas pré-dobradas?
Belisque esta roupagem impermeável sem receios
Somos a pelugem despida de nossos ancestrais
A verticalização do olhar apontada para o cume 
Sobre a vigilância adormecida de bocejos narcisistas.

Padecente coágulo de glóbulos lacrimejados
Entre estas entranhas de entrelinhas gagas
Venoso ser que bobina tal fluxograma,
Disseca o (en)carnado desta insalubre excreção
Impregnada em meio a tantas vértices.

De fato, esta couraça impermeabiliza nossos temores 
Reveste a membrana do possível predador inocentado, 
Aquele englobado no caótico mundo pós-globalizado
Que refuta a sua dita e cuja bio-poética (trans)descendente.

Somos a veludagem acariciada por dedilhados 
Plumária alegórica recheada de soberba,
Em um teor estético maquiável e/ou maquiavélico
De superfície deslizante pela tamanha epidermia tatuada
Espelhada prismaticamente por colírios cintilantes
Refletida na ausência daquele tal ego auto-reflexivo.








domingo, 1 de abril de 2012

Macaco sem Galho


Polegar que infiltra nas cavidades impermeáveis
Conduz tudo aquilo que transpira ofegantemente
Que apalpa o toque sutil dessa natureza amena,
Canaliza o aguçado ao foco ainda embaçado
Por tantas películas salgadas desta insalubridade.

Sensitivo ser que permanece paralítico do momentâneo
Insistente ao fluxo bombeado por estes reles tão morais,
Afaga o sono horizontal no qual nos foi concebido (sem pecado)
Adorai o que realmente nos torna algo real (em valor).

Despenca a massa atômica sobrecarregada dentro de ti
Não que sejamos tão heterogêneos a este ponto (final)
Apenas somos o reflexo da falta de sombra espreitada,
Fato que entristece até o plano cartesiano superior a nós
E desencanta esta singela fábula premeditada.

Há tempos custáveis impedindo o ar massivo
Preferimos assoprar a brisa despertante do dito e cujo
Indivíduo empanturrado de vaziez repleta,
Como se o feixe (i)luminário ofuscasse certos determinantes
Que propagam a notoriedade permissiva.

Sejamos então os males assolados em solas gastas
A parasita ensandecida da maré reversa
Afogada em prantos e prontamente aceitável
Sem prolongas e delongas por ai dispersas
Dita aquela palavra que nos une: ALÉM (do infinito)...

P.S: AMÉMçoado (e suado)


quinta-feira, 29 de março de 2012

Lataria de Cartilagem



Seja então o cisco de areia arremessado aos olhos
A lágrima prematura que desliza sem pedir licença
E de tal timidez refogada numa epiderme tão árida.
Pois, da ruga recém-costurada num rosto palpável
Salientam-se essas dobradiças de faceta fracionada
Em fisionomia mascarável e pelugem pós-aparada.
Tal lataria de cartilagem reveste-se em outra áurea
Com trajes e trajetos envergonhados dentro de si,
Despida pela despedida de ser só falta existencial
Na presença de qualquer companheirismo solitário.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Simbológico


A sinceridade mútua é algo momentâneo por estes recantos
Esta carne trêmula não suporta mais todas essas palpitações
O (in)pulso involuntário torna-se dormível
Como o carnaval efêmero de nossa insignificante existência.
De liberdade aprisionada ao livre arbítrio
Palavras mal-ditas salivando o néctar insolúvel
Descrédulo de todo aquele senti-mentalismo mentiroso
Farsante ao ponto de vista cego.
A espinha dorsal prefere horizontar um cujo ângulo
Ereto pendulado a este alicerce tão ambíguo
De um bípede capaz de equacionar a obviedade.
Adaptável a contramão corriqueira
A mente sem semáforo sinaliza o (des)esperado:
Atrito de corpos traídos por tamanha pequenez.
Existe certa longitude entre a proximidade alheia
E a vizinhança distante do meio externo,
Centralizando as arestas inacabadas
Pois o resto não passa de versículos esmolados.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sem Público, sem Plateia



Aos escritores que não escrevem
Com as palavras arremessadas ao vento
De rimas tão baratas como esmolas.
Aos leitores que não leem
Inventores de vocábulos e verbetes
De bons livros presenteáveis de aniversário.
Aos fluentes paladares na ponta da língua
Traduzindo o próprio vernáculo
Recitando seu oráculo profundo.
Aos gramáticos matemáticos
Os equacionadores da ortografia
Calculando sílabas em suas poesias.
Aos poetas de dedos mudos
De vozes silenciadas e gritos internos
Sussurrando versos e amores.
Aos filósofos de esquina esburacadas
Teóricos nas noites de luar
Lunáticos entre quatro paredes.
Aos observadores de plantão
De olhos inquietantes
Entre Supimpas e Eurecas!
Aos solitários do eu sozinho
Habitantes de um banco de praça deprimido
Musicalizando o silêncio.
Aos viajantes de terras tão distantes
Forasteiros acadêmicos
Sem limites, sem limitações.
Aos sonhadores presentes visando um futuro
De um individualismo tão coletivo e vice-versa
Loucura lúcida de sabedoria.
Entre pontos e vírgulas, parágrafos e versos
Poetizamos a vida e o mundo.
Somos aprendizes eruditos
Sábios leigos portadores do dito dom
Dado aos alquimistas da educação
Vulgarmente conhecidos como PROFESSORES.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Apertura



Toda aquela sentimentalização insensível
Invisível cegueira que assombra meus olhos despidos
De tal semiótica escondida de forma tão nítida
Íntima ao atrito da carne trêmula deste mero ser
Tímida nas proximidades da tua presença ausente.

Era tão cheia de um vazio sem preenchimento
Um recipiente oco pelo eco sussurrado ao teu ouvido
És a ouvinte desta voz roucamente sem timbre
Declamável ao tom deste silêncio gritante
Que musicaliza minhas palpitações (dil)aceleradas.

Frágil miocárdio por conta de tantos infartos d'alma...
Leva-me ter o hábito de sentir algo novamente!
Mesmo que perfure todas essas veias poéticas
Para que eu possa repousar sutilmente naquele ventre
Sem machucar aquilo que nunca me pertencera.