quinta-feira, 31 de julho de 2014
O direito à morte
Eu declaro em mim
Outro livre-arbítrio
Que não seja viver.
Talvez Deus morra
Deste meu pecado
Que mente sem fé.
Existo porque sou
Um mal necessário
Eterno de si afinal
À espera do óbito.
domingo, 27 de julho de 2014
Denúncio
Vende-se um poema
De seus sem metros²
E com área de lazer.
Localizado em mim
No bairro de dentro
Próximo de alguém.
Interesseiros
Tratar(em-se)
Pelo telefone
Que me liga
Um coração
Ao teu outro.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Palarvas
Escrever é agora
Pois, vivo depois
No fundo de fora
Eu sozinho a dois.
Cada verso cego
Vê em si o amor
Que falta ao ego
Sem matar a dor.
Numa conversa
Qualquer palavra
Até então inversa.
Minto um poema
Pra ser em outro
Qualquer dilema
No brilhar neutro.
Antes de amanhã
Serei só passado
Do vazio ao lado
Escuro da manhã.
domingo, 20 de julho de 2014
Darthlografia
Concordo com você, escrever é ainda tão pouco
Mas é o melhor que posso fazer com esses erros
Que ainda insistem em gostar desse teu desprezo.
Escrevo mesmo sabendo de sua leitura superficial
E com aqueles questionamentos cheios de porquês
Como se um poeta explicasse qualquer poema seu.
Se poematizo tudo isso é porque calo-me ao te ver
Sim, é num silêncio que vêm essas minhas palavras
Que tantas vezes passam caladas perto do seu riso.
Ri tanto que esquece o quanto adentro em timidez
Fico até envergonhado de tentar um verso repetido
Na expectativa de ouvir teu não com tanta teimosia.
Nunca aprendo de fato, enquanto você só apreende
Um eu em flagrante, pois não há fuga dentro de mim
Capaz de escapar entre uma estrofe até outro corpo.
Bem, o que foi dito num beijo não será escrito aqui
Sei guardar segredos como também nossas mentiras
Num lugar onde as rimas foram esquecidas comigo.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Só lido!
É-difício ser concreto
Condomínimo comum
De todos os inquilinos
Que amam duramente.
Entre tantas dispensas
Adentro em despensa
Por qualquer eleva/dor
Que lembre a ex-cada.
Sem varanda nos olhos
Afronto outro sín(d)ico
Que endereça a solidão
A um corpo acimentado
Para está/dia de alguém.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Autopoiese
- Oi, eu sou um poema
E deste verso em verso
Vou sendo tal eu lírico
De alguém tão poético
Ao ponto de ler-se só
Numa voz de silêncio!
Se você, leitor até aqui
Não percebeu qual dor
O nosso poeta escreveu
Talvez seja você a rima
Que me falta no clímax!
Sabe, dói ser declamado
Por quem existe de vazio
Sem ser algo de si então.
Cabe a ti levar cada letra
Para um lugar aí adentro
Pois o desfecho no caso
Bem, isso é quase eterno!
terça-feira, 15 de julho de 2014
Soul-me
É sempre a mesma metamorfose:
De levantar-se ainda tão deitado
Para esta vida de normal psicose
Que transforma minha sapiência
Num enclausurado de suicídios!
Cabe saber o que serei amanhã:
Só alguém entre os expedientes
Que sempre volta ao pesadelo?
Eis aquele que sem um currículo
Sabe bem que viver é tão longe
De tudo aquilo que força a ser.
Vejo pelo espelho toda a sombra
Que acobertaria tantos gabaritos:
Desta vida rumo à aposentadoria
E que insiste usar terno e gravata
Para o próprio enterro tão interno.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Longe é onde existimos
Com tantas hashtags no peito
Até tirei uma selfie ao te olhar,
Compartilhei toda minha vida
Para que eu linkasse um beijo
Que de tanto amor - viralizou.
Deletaram até nossas memórias
Sem mesmo formatar outra vida
Ou qualquer spam além de você.
Quem me dera ser só hardware
E não sentir esses bugs em mim
Ao ponto do coração ter um tilt!
Mal cabe o poema em caracteres
Tampouco em cada avatar de nós
E imagina se fosse em algoritmos?
Escaneando os pixels do teu rosto
Imprimindo versos criptografados
Neste bate-papo de tela, ao tê-la.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
De óxido
São lágrimas alcoólicas
Duma parte até sólida
Que mesmo sob cólica
Sente-se mais mórbida
E infelizmente tão ótima.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Em fim...
Não sei se existe
Um ser tão triste
Em outra metade
Ou de rasa idade
Que ainda soma
Tanto hematoma
Num outro nome
Enquanto - some.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Check-up ou Xeque-mate?
Ao falar pelos olhos
Pensei pelo coração
E até senti o cérebro
Dizer-me em silêncio
Que a boca cheirosa
Só defeca outro beijo.
domingo, 6 de julho de 2014
sábado, 5 de julho de 2014
Solilóquio
A todos que morrem
Em silêncios maiores:
Meus pêsames vivem
A cada instante eterno
Sem ser o que já sou.
Não me vale ter nada
Se é embaixo de cima
Que sobe-se o abaixo.
Viver-se é algo comum
Quando em pós-morte
Vejo o quanto fui cego.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Desti>lado
Te conheci de um jeito solitário
E embriagado de tanta timidez
Até balbuciei algumas palavras
Para que você não fosse outra.
Entre muitos rostos embasados
Preferi não hesitar tanto álcool
Que às vezes escreve por si só
Pois, se depender de mim aqui
Ficarei ressaqueado ao ler-me.
Não são esses versos bêbados
Que irão atingir sua sobriedade
Nem mesmo entorpecemo-nos
Ao ponto de cairmos num leito,
Que seja uma calçada qualquer
E/ou até mesmo em seus braços
Com o perfume eterno de ontem.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Ar-Cardio
Sei que meu coração é pouco
Pois só cabe em mim um oco
De tanto ferir-se pelos outros.
A cada amor um outro infarto
Daqueles que convulsionam
Tanta dor que até então parto
Desta para onde apaixonam
Este músculo ainda infinitivo.
E não há outro órgão tão seu
Quanto este de peito adentro,
Eis meu miocárdio instintivo
Que ao sentir deixa de ser eu
Para pertencer a teu epicentro.







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