quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sem Público, sem Plateia



Aos escritores que não escrevem
Com as palavras arremessadas ao vento
De rimas tão baratas como esmolas.
Aos leitores que não leem
Inventores de vocábulos e verbetes
De bons livros presenteáveis de aniversário.
Aos fluentes paladares na ponta da língua
Traduzindo o próprio vernáculo
Recitando seu oráculo profundo.
Aos gramáticos matemáticos
Os equacionadores da ortografia
Calculando sílabas em suas poesias.
Aos poetas de dedos mudos
De vozes silenciadas e gritos internos
Sussurrando versos e amores.
Aos filósofos de esquina esburacadas
Teóricos nas noites de luar
Lunáticos entre quatro paredes.
Aos observadores de plantão
De olhos inquietantes
Entre Supimpas e Eurecas!
Aos solitários do eu sozinho
Habitantes de um banco de praça deprimido
Musicalizando o silêncio.
Aos viajantes de terras tão distantes
Forasteiros acadêmicos
Sem limites, sem limitações.
Aos sonhadores presentes visando um futuro
De um individualismo tão coletivo e vice-versa
Loucura lúcida de sabedoria.
Entre pontos e vírgulas, parágrafos e versos
Poetizamos a vida e o mundo.
Somos aprendizes eruditos
Sábios leigos portadores do dito dom
Dado aos alquimistas da educação
Vulgarmente conhecidos como PROFESSORES.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Apertura



Toda aquela sentimentalização insensível
Invisível cegueira que assombra meus olhos despidos
De tal semiótica escondida de forma tão nítida
Íntima ao atrito da carne trêmula deste mero ser
Tímida nas proximidades da tua presença ausente.

Era tão cheia de um vazio sem preenchimento
Um recipiente oco pelo eco sussurrado ao teu ouvido
És a ouvinte desta voz roucamente sem timbre
Declamável ao tom deste silêncio gritante
Que musicaliza minhas palpitações (dil)aceleradas.

Frágil miocárdio por conta de tantos infartos d'alma...
Leva-me ter o hábito de sentir algo novamente!
Mesmo que perfure todas essas veias poéticas
Para que eu possa repousar sutilmente naquele ventre
Sem machucar aquilo que nunca me pertencera.