
Aos escritores que não escrevem
Com as palavras arremessadas ao vento
De rimas tão baratas como esmolas.
Aos leitores que não leem
Inventores de vocábulos e verbetes
De bons livros presenteáveis de aniversário.
Aos fluentes paladares na ponta da língua
Traduzindo o próprio vernáculo
Recitando seu oráculo profundo.
Aos gramáticos matemáticos
Os equacionadores da ortografia
Calculando sílabas em suas poesias.
Aos poetas de dedos mudos
De vozes silenciadas e gritos internos
Sussurrando versos e amores.
Aos filósofos de esquina esburacadas
Teóricos nas noites de luar
Lunáticos entre quatro paredes.
Aos observadores de plantão
De olhos inquietantes
Entre Supimpas e Eurecas!
Aos solitários do eu sozinho
Habitantes de um banco de praça deprimido
Musicalizando o silêncio.
Aos viajantes de terras tão distantes
Forasteiros acadêmicos
Sem limites, sem limitações.
Aos sonhadores presentes visando um futuro
De um individualismo tão coletivo e vice-versa
Loucura lúcida de sabedoria.
Entre pontos e vírgulas, parágrafos e versos
Poetizamos a vida e o mundo.
Somos aprendizes eruditos
Sábios leigos portadores do dito dom
Dado aos alquimistas da educação
Vulgarmente conhecidos como PROFESSORES.

