sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Heterônico


Ao ser pessoa
Sou ortônimo.
Ex-finge e dor
De outros eus
Que dexistem.
A flor do ópio
Ode meu ódio
Num rebanho
Que é mundo
Heteronômico
Ou automorto.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Cada alguém no seu galho


Toda árvore já foi muda
Hoje grita o que respira.
Nós também muda-mos
Noutras folhas de papel.
Órfão de mãe natureza, 
Eu: numa foto e síntese
Bendito o fruto interior
Da casca de noz, e nós.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Manyfesta!!!


Como um poema
Eu sou carnívoro
Um antropofrágil
Cuja metafricção
Vomita um amor
No velho-futuro.
Ontem, moderno
Hoje ou amanhã
Outra vanguarda
Tanto faz: é arte.
Antes, futurismo
Depois e eterno,
Nada é tudo: eu
Quase todo, fim.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

I do(is)


Sim, nunca sou eu
E nem serei outro
Sou o que é meio
Entre parênteses:
O centro de mim.
Caso queira tudo
Posso ser, ou não
Aquilo que existe
Interno, lá de fora
Onde sei esquecer.

domingo, 24 de agosto de 2014

Lê(de)novo


Te vi novamente
Mudamos em si
Cada qual outro
Onde já foi nós
De mãos atadas
E dedos macios.
Você nem muda
Fala em silêncio
Esquece o antes
E explica depois
Qualquer alheio
Que não seja eu.
É a vida que dói
E também segue:
Ora com alguém
Ora sem ninguém
Ao amar, sozinho.

sábado, 23 de agosto de 2014

Gente como agente


Já tive poemas difíceis
Quando tinha dezesseis.
Escrevia sobre o futuro
Até mesmo num escuro
Enquanto vivia, enfim.
Só não existia em mim
Algo que fosse eterno
Afinal, só era interno
Aquilo que esqueceria
No dia em que livraria
Minha vida em livros.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Pro logo!


E se um dia eu morrer
É porque já vivi muito.
Mais do que se devia
Menos de quem seria.
Eu, ou qualquer outro
Sabe bem que a vida
É só feita pra acabar.

domingo, 17 de agosto de 2014

To: Cam teens


Eu, tocantinense
De poesia menor
Declaro em mim
Entre as margens
Do Rio Araguaia
Qualquer líquido
Que seja teu suor
Na areia da praia
Quente, de você.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Pro verbo


Para um bom trova/dor
Meia chuva de si basta.
Mais vale ter o poeta só
Do que seu verso de-dó.
Pois, uma cabeça vazia
Faz a oficina da escrita.

A poesia em carne dura
Tanto sente quanto cura.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Conversa com verso


Por que escreveu?
Pergunta um leitor
Que também é eu.
Se isso foi escrito
Quem será então?
Alguém ou outro?
Lendo a resposta:
Sou só um poeta
O que já diz tudo
Quando me calo
Diante das letras
Afinal, ser é seu?

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Cherox


A única certeza que tenho
É que já escreveram isso,
E sei também que irão ler
Cada verso repetido aqui
Sem mesmo pensar sobre.
Não há poeta novo afinal,
Apenas gente que escreve
Tanto que se torna nada,
Traduz o outro que não é
Sem ter uma poesia de si.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A Cônego em verso


Semáforo dos olhos
Vejo num retrovisor
Um asfalto em verso,
Entre calçadas e pés
Caminho cada passo
Até chegar em mim.
Sob nós - a quentura
Alternando bloquetes,
Sobre nós - tão nada
Quase berrante de si.
Araguaína é o que sou
O meu poema moreno
Lido no suor do vento
Que leva outra chuva
Para perto da Cônego.

domingo, 10 de agosto de 2014

Poema sobre os outros


Escrevo mas não é de mim
Mas dos outros que vivem
Ocupados com tanto amor,
Ou talvez, de qualquer dor
Que possa ser então verso.

Egoísmo meu, rimar afora
Outro ser que não seja eu,
Modificando os desfechos
E até mesmo a vida alheia.

Menos poeta e mais perto:
Sou o que não se escreve!
Alguém, como ninguém é
Capaz de ler as entrelinhas
De quem será esse poema.
?

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Antraz


Não sou poeta
Nem o inverso
Se é que existe
Apenas um eu
Quase múltiplo.
Poesia é assim
Nasce e morre
Como as vidas
Que se seguem
Até irem ao fim.

domingo, 3 de agosto de 2014

Antiontem


Poesia de hoje
Só dói amanhã
Depois do fim.
Escreveu antes
Para ser agora
Algo lido de si.