quinta-feira, 29 de março de 2012

Lataria de Cartilagem



Seja então o cisco de areia arremessado aos olhos
A lágrima prematura que desliza sem pedir licença
E de tal timidez refogada numa epiderme tão árida.
Pois, da ruga recém-costurada num rosto palpável
Salientam-se essas dobradiças de faceta fracionada
Em fisionomia mascarável e pelugem pós-aparada.
Tal lataria de cartilagem reveste-se em outra áurea
Com trajes e trajetos envergonhados dentro de si,
Despida pela despedida de ser só falta existencial
Na presença de qualquer companheirismo solitário.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Simbológico


A sinceridade mútua é algo momentâneo por estes recantos
Esta carne trêmula não suporta mais todas essas palpitações
O (in)pulso involuntário torna-se dormível
Como o carnaval efêmero de nossa insignificante existência.
De liberdade aprisionada ao livre arbítrio
Palavras mal-ditas salivando o néctar insolúvel
Descrédulo de todo aquele senti-mentalismo mentiroso
Farsante ao ponto de vista cego.
A espinha dorsal prefere horizontar um cujo ângulo
Ereto pendulado a este alicerce tão ambíguo
De um bípede capaz de equacionar a obviedade.
Adaptável a contramão corriqueira
A mente sem semáforo sinaliza o (des)esperado:
Atrito de corpos traídos por tamanha pequenez.
Existe certa longitude entre a proximidade alheia
E a vizinhança distante do meio externo,
Centralizando as arestas inacabadas
Pois o resto não passa de versículos esmolados.