segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Eu-líricação¹



1: Oh céus, ultimamente não sou o mesmo de sempre...
2: Poupe-me de tantas parolagens Sr. Eunuco!
1: Minha hipérbole causa repulsa em ti?
2: Não meu caro, mas tal bucolismo é incompatível a teu ser.
1: Será que não vê os estilhaços de alma pelo chão?
2: Sou um crédulo cético diante de tuas metáforas...
1: Perdoe-me, imaginara que fossem trocadilhos para não-filósofos.
2: Pare de entorpecer meu cérebro!
1: Tudo bem, seus nervos merecem entrar em transe.
2: Menos mal, só assim decifrarei este teu código cromossômico.
1: Mas tente desvendar tal enigma perpétuo.
2: Diga-me, eis aqui o oráculo predestinado a tuas perguntas!
1: Vamos lá então; o amor não foi (inventado) feito para sermos felizes?
2: Bem...(WHAT???) responda-me algo antes de tal feito...
1: Sim, o que desejas saber sobre este sonhador vulgar?
2: Pois bem; jogastes todos teus calmantes/alucinógenos fora?
1: Isso não vem ao caso por acaso! (diga-se isso de passagem)
2: Aconselho-te a repousar sobre teu leito, teremos consulta amanhã pela manhã.
(Espero que não tenha manuscrito isso como um laudo psiquiátrico)


domingo, 21 de agosto de 2011

Vadio Puritano


A cafeína não surte efeito diante das memórias fragmentadas,
No vácuo contínuo dos paradigmas de noites inacabadas.
Significados insignificantes enfatizam minha alma despida,
Sem nenhum pudor explicito vanglorizo a madrugada boêmia.
Os goles de vinho não satisfazem mais as aventuras do ilustre canalha,
As mãos pegajosas envolvem-se na relevância da taça límpida.
Paranóias obscenas perpetuam minhas emoções inertes,
Demônios sobrevoam sobre meus pesadelos ingênuos.
Minha filosofia fajuta conforta-me nas indagações irreais,
Declamando as problemáticas de um velho andarilho sóbrio.
Meus passos mansos contornam as esquinas soturnas,
Esquivando-se das lombadas dessas vielas esburacadas,
A calçada imunda abriga-me em seu leito sereno.
Meus olhos sonolentos acompanham a nostalgia do doce luar,
Em contraste com as luzes ofuscadas dos postes solitários,
Reluzentes ao brilho das estrelas incandescentes.
Ainda assim prevalece o espírito de um viajante sorrateiro,
Que não passa de um tímido forasteiro vislumbrado a monotonia,
Caindo nas tentações mundanas desse paradoxo surreal,
Fugindo do marasmo constante de um vadio puritano.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Perfilizando


Eis aquele que sonhava em ser um gênio, mas todos creditaram como um mero louco. Assim de tantos supostos boatos, o mesmo louco ficou; mas quem dissera que ele não tornara um gênio ?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

João de Barro's



A silhueta esculpida na mão veluda
Acariciando qualquer tipo de atrito.
Era dos calos delicados do artesão
Que surgia ali tal obra-prima de si,
Num parentesco até então distante
Surgia-se um ser estático e áspero:
Eis aqui os homens feitos pelo barro
Com tantos sentimentos modeláveis
Atrás de uma pelanca de porcelana!
Sinto muito pelo coração de pedra
Nem o artesão é capaz de lapidá-lo
Ou dar a vida a algo tão sedimentar.
Só se concretizasse todos os sonhos
Num corpo mesmo que sólido e oco
Que de dor sentia-se assim, poroso. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

World in Word


Em um dia qualquer, aquele jovem atreveu-se a mudar o cujo "mundo". Mal ele sabia que todos os olhares alheios virariam contra ele e que o mesmo iria fracassar. Em outro dia qualquer, aquele mesmo jovem conformou-se que NÃO poderia mudar o dito "mundo". Mas mal ele sabia que todos os sonhos coletivos que tanto almejava não poderiam fracassar. Tanto que em um outro dia NADA qualquer, aquele jovem acabara dando a luz a sua obra-prima: o SEU suposto "mundo". Mal ele sabia que todos aqueles olhares alheios e o cujo "mundo" que tanto desejar para si era minúsculo perto do seu PRÓPRIO "mundo" que aquele mesmo jovem projetara.

domingo, 14 de agosto de 2011

Notas Incompletas¹


Meus pés são incapazes de tocar estas fronteiras imagináveis, percorrer distâncias que jamais foram percorridas por este pobre coração afugentado. Tal mente conturbada destorce o que seria teu desconhecido comum, tanto que indaga sobre o teu ser. Minhas mãos trêmulas condizem a essas breves linhas que rascunham a tal esperança fúnebre que ecoa por ti mesma, saciando tais anseios que preenche esta tua lacuna. É tua audácia menosprezar os cânticos que cantarolei a ti, as poesias que declamava a tua pessoa. Descartadas como palavras ocas ao vento, tal lirismo fracassado não acompanhava o ritmo da tua musicalidade, que ainda flutua nos meus devaneios noturnos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Filosofia de janela de ônibus



Olhos vidrados e estáticos
Congelando cenas jamais censuradas
Teatrando a doce dramaturgia em tempo real.
A quem diga que o mesmo vivia no "suposto" mundo das nuvens
Que empanturrava seu estômago com borboletas voadoras
Mal sabiam que tudo isso não passava de parolagem.
Aquelas terras pisantes descativaram o ingênuo jovem
Mudança de ares e mudança de estações era aquilo que desejava.
Sentia-se trancafiado em um cubo mágico degradê
De cristal tão límpido como a alma que transparecera
Criando seus prismas ópticas dentro de si.
Por ventura arriscava em ideias sem métrica e sem musicalidade
Intitulava-se como uma "poesia incompleta"
Inadequada aos prazeres estilísticos.
Tudo isso por conta de uma mera frecha de janela
E uma boa dose de eu-liricação.