quarta-feira, 20 de abril de 2016

O poema está aí para sofrer


Se tem
Um poema
Que me
Recuso
A ser
É este.

Não que
Eu
Falhe
No verso
Mas
Nunca
Me importei
Com quem
Lê algo
Sob a crítica
De um mundo
Que não seja
Mutável
Ou
Pleno de si.

Rejeito
Qualquer molde
Que me sustente
Numa cruz,
Até porque
Nunca fui
De penitência
Para que houvesse
Salvação de tais corpos.

A minha voz
É outra -
Cantada pelos cantos
Escorraçada num só grito
Até que não haja mais forças
Para exteriorizar minha existência.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Long bitch


Distanciamos nossas mãos
Afrouxamos nossos abraços
Até vomitarmos o último beijo.

Aquele que não foi pra sempre
Aquilo que não pesou na alma
Tudo que parece mas não é de fato.

Um amor que se esquece num poema
Escrito à força do verso verossímil
Capaz de abalar os lábios mais rígidos
De um silêncio que entorna as próximas linhas...

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Dito duro


Esbarram-se os ombros
Amputa-se teus sonhos
Numa surdez que grita
Minha paz em silêncio.

Levanta-te uma bandeira
Capaz de emblemar o ar
Que falta no peito aberto
Para entonar teu suspiro.

Cantado na voz suprida
No verso que manifesta
Tua calma diante de tal
Caos que só existe aqui.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Será que os poetas xingam?


Puta merda, tenho que fazer mais um verso!
Numa porra de métrica que nem cabe no cu!
Acentuado no pau da palavra, algo pra fuder!
O caralho desta vida que já virou desgraçada!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A vida é feita pra estragar


Bem-aventurados são os que se arriscam:

Num beijo fora do script
Na última rodada do bar
Na corrida até a esquina
Num sentimento escrito
Noutra vida efemerizada.

terça-feira, 5 de abril de 2016

De lírios de uma flor adentro


Surto-lhe um verso
Convulsiono a palavra
Uma epilepsia de sentidos
Vagos e inertes que me ressurgem.

Como se a cada ataque
Eu tentasse controlar a ânsia
De escreve sob o efeito de remédios
Que nada dizem, apenas doem minha existência.

Não há nada em mim
Capaz de conter essa loucura
De fazer poemas belos e bem estruturados.

Sou incapaz de tal feito
Apenas elucido entre um grito ou outro
O que falta durante o sono breve: um pouco de paz.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Acho graxa


É gargalhando tais palavras
Que arranco o dente postiço
Preso a tua boca, desbeijada.

Desdobro-lhe mais um riso
Rarefeito, capaz de enrugar
A carne entre lábios, castos.