domingo, 31 de julho de 2011

The Like (laico)


Ora bolas, eu nunca dissera que aprecio o par de olhos dela
Apenas entusiasmo-me com aquelas pupilas dilatadas
Que veste-se de uma carapuça de luneta
E aponta para um vácuo que representa um todo (fracionário).
Jamais mencionei algo relacionado a boca daquela donzela
Mas é notável o quanto seus lábios franzem
A ponta da língua toca os dentes e umedece
Ao ponto de cantarolar seus próprios sonetos.
Também não citei nada sobre a pele da cuja moça
Só indaguei sobre seus pelos arrepiados nos dias de frio
Na veludez de manusear a mera caneta de estimação
De evitar o atrito com sua singela polidez.
Afinal, eu nunca dissera que estava apaixonado por ela
Falei que gosto do chão que ela pisa
Das pegadas fundas fincadas ali
Pois o vento tem o privilégio de apagar tais rastros.




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Fly


És (my) Ícaro com seu par de asas de cera
De tantas epopeias jamais lidas,
Sobrevoando as luminárias que te ofuscavam.
Empanturrado de fantasias
Erga voo menino-pássaro!!!
Fuja da tua gaiola...
Achavas que poderia tocar o céu???
Peitos inflamados e braços dilacerados...
Lança-te neste penhasco!
Encanta-me com tua ousadia,
Pois teu lirismo já me seduz.
Despenca-te das alturas
Meus bruços suavizam teu repouso (re)forçado
Flutua-te doce sonhador!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

In:Sônia


E a boca estava dormente de beijos
Brotavam-se ali os últimos bocejos
Vendo que seus olhos enferrujaram.
Caçoando de todo desfecho noturno
Ela não quis sofrer em outra oração,
Não lhe abriria uma janela na mente
Para que a pudesse entrar em pânico.
Talvez, aqueles calmantes tão vazios
Dum cujo sonho, então interrompido
Vegetassem a carne numa dormência. 
Tinha consigo alguns minutos adiante
Prestes a eclodirem pelo despertador
O que era afogamento de cama afinal.
Horizontava o corpo a fim de morrer
Em estágio terminal de coma, comigo
E devorando em si, a volta da insônia.

sábado, 9 de julho de 2011

Musa de Carroll



Malditos ponteiros que nunca descansam
Mas afinal, onde está meu relógio de bolso?
Ou melhor, por onde andas aquela doce menina com olho de gênio?
Coma-me e beba-me! (Comunhão?)
Por enquanto, minha maçaneta está emperrada
E a porta um pouco empenada.
Ora mocinha do outro lado do espelho
Do rostinho trincado
Podemos até repousar sobre aqueles cogumelos
Recitando teus poemas.
Descafeinado em um chá chorado
Garotinha entorpecedora de olhares
Eis aqui um maluco sem chapeleira, carregando sua mera cabeleira.
Ás vezes, teu sorriso tão Cheshire contagia-me
Pois não existem bosques perdidos sem teus cabelos
Oh menina com aroma de biblioteca
Deixa-me desbravar teu mundo
Repleto de sonhos como os meus.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Armstrong's


Perdoe-me Armstrong...
Quem me dera ter teus olhos cintilantes,
Para vislumbrar tal elipse incandescente.
Espeta-se tua bandeira patriota,
Não que a gravidade impeça de permanecer trêmula.
Mas desculpe-me Billy Joe...
Talvez eu não seja tão "American Idiot",
Nossa alma sem atmosfera está espacialmente USAda.
Nada como sonhar em ser um sonhador...
Satélite com problemas dermatológicos e psiquiátricos,
Vivendo de fases e faces constantemente.
Eis aqui um velho lobo uivante...
Que faz Moonwalker não-dançante,
Que acredita em Crepúsculo sem mencionar Edward e Jacob,
E cega-se com aquele ponto nulo no céu (.)
Queria ao menos ser um pouco minguante...
Pois nada de mim esteja em forma crescente.






quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cafuzo Confuso


Um balancete abduziu aquele caboclo,
Matuto calejado de enxadas e inchaços contemporâneos.
Ele ainda não quer amanhecer, (é dia?)
Prefere contar feijões mágicos do que inocentes ovelhinhas.
Prometera que este final de semana podaria seu pomar,
De ditos frutíferos que já foram de uma boa safra...
(Basta-me de tanto bucolismo!)
Proseava sobre os inúmeros habitantes de milharais,
Não bastava confessar-se com aquele velho espantalho,
A benção lhe rendia ao menos algumas auroras boreais.
Deslumbrava um céu pontilhado,
Nunca saberia contar e problematizar tais anos-luz.
Só sabia apontar sua luneta oftalmológica para determinado ponto. (.)
Capaz de ao mínimo de cavalgar sem seu pangaré,
De fato, o mesmo não era um unicórnio invisível.