Um coração
Tão fechado,
Mal queria
Sentir algo.
Com o tempo
Desaprendera
O que era Ser -
Alguém no outro
E dizia em silêncio:
O amor se esqueceu!
Desmemorizando
Qualquer cicatriz
Ou lágrima árida
Que afeiçoa a face -
Tímida e ressentida
De tanto ser poema.
Cada detalhe versava
Sobre o que os poetas
Sabem ao desconhecer:
O Amor - o dito e cujo
Presente nas entrelinhas.
Vale ressaltar a dificuldade
Para se escrever sobre algo
Que vivenciara como dor.
Se os corpos aprisionados
Não permitem que entrem:
Tal amor, sempre na espreita.
E foi assim que se rompeu tudo:
A dureza dos corpos desfigurados
De tanta pancada, de tanto passado...
O amor surgiu-lhe como uma chance!
De fazer desta, uma eternidade efêmera.
Seria um bom motivo para comemorar -
Os olhos que tanto veem e agora fixam:
No rosto que admira e se espelha adentro
É ali que vemos o porquê do amor chegar
Tão perto, tão despercebido nas multidões
E dizer muito sobre nós, mesmo em segredo.

