O hábito de receber cartas havia se perdido nessas
redondezas
Tempos esses de seca aos aspirantes e inspirantes a
sonhadores
Que tinham suas caixas postais vazias, mas cheias de
esperança.
Tão mero seja aquele que tem o martírio do peso das
palavras:
Eis então o carteiro - que tinha em si todas as poesias de
gaveta.
Mas ele tinha uma garota aparentemente nula aos olhos
alheios
Que tinha como selo postal uma marca de batom rubi na boca
Um envelope perfumado em volta do corpo com outro aroma.
Até parece que logo ela encomendaria um amor tão extraviado
Duma incorrespondência que o carteiro entrega-se ao
escrever.
Aquele pedido descompromissado teria então outro
destinatário
De um admirador secreto que preferia ser anonimato do
silêncio
Que talvez saísse daquela embalagem feita de timidez tão
escrita.
Desempacotasse todos aqueles sentimentos num único
endereço:
O coração dela, sem qualquer remetente ou mesmo
destinatário.


