terça-feira, 5 de março de 2013

SHHHado


Para:  Wander-son Sousa

O espetáculo da inibidez
Do falante não-praticante
Que escandaliza a c'alma
E esbraveja o soss(ego) de ser
Aquilo que ecoa sobre si.

Sussurra o pesar de tuas palpitações
De uma rouquidão tão poética
Ao ouvinte que cessa o timbre
Com o estridente calar dos calos
Destes dedos ao (d)escrever-te.

Toda quietude tem sua plateia
Por mais "falático" que isso seja,
Um múrmuro torna-se elo(deli)quente
Quando a garganta desata a voz
E afrouxa a asfixia do tom.

O barulho carece desta tua intro-versão
Que consola os prantos não-prontos
Do conselho dito(ngo) ao amigo o-culto.
Sábio é aquele que faz jus ao seu silêncio
Em meio a tantas onomatopeias,
Detentor do dom sensitivo de suprir
O direito de quem cala e fal(h)a
Logo, consequentemente consente.

sábado, 2 de março de 2013

Escoração




Por um momento, queria ser tua ferida,
Que cicatriza tuas fissuras.
Prantos que nunca filosofaram,
Cânticos de trombetas de anjos e demônios,
Eis aqui o homem que tenta flutuar...
Tão flutuante como as utopias que sobem os montes,
Talvez o Himalaia não seja tão distante assim...
Basta uma mente insana e um bom leito,
Teu repouso já é algo excitante.
Ambos os cromossomos são homogêneos,
Gênios de lamparina são reais e dólares!
Só depende da bolsa de valores e temores.
Eugênio não passa de um pacato pangaré,
Que não é apenas um ruminante errante,
São apenas rumores (de amores).
Declame teus poemas em cima daquela pedra polida,
O mundo continua sendo paleolítico, não se preocupe.
Fume aquelas bolhas que despencam do que chama de "surreal",
Meus pais foram andarilhos cubistas...
E eu estou aqui de braços abertos,
Só falta-me os teus pregos (I.N.R.I).
Maldito seja aquele que tentou poetizar essas linhas,
Tudo isso não passa de veneno para a alma,
Pois essa tua ferida já cristalizou.
Oh céus! Quem poderá me defender? (Eu?)
Ah sim... Resta-me o resto.
Peço-lhe neste exato momento:
Posso te ferir novamente?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Horizontes perdidos




E eu aqui: sem coordenadas geográficas e sem coordenação motora
Aproximadamente longe das longitudes e das longas noites mal dormidas.
Extremista ao(s) extremo(s) de horizontes perdidos
Que carrega um buquê de Rosas dos Ventos para sua amada
Imigrando para um coração de fronteiras em litígio.

E você ali; desenhando linhas imaginárias em torno de si
Paralelamente as curvas de teu corpo desnudo.
De abalos sísmicos temporais e temperamentais (TPM!)
Qual mulher nunca teve seu epicentro sentimental?

E eu permaneço; com a superfície da alma em erosão
Solidificando o que resta-me de compaixão própria.
E você continua; com essas (de)pressões sedimentadas
Em uma pele em relevo tão irrelevante.