domingo, 29 de junho de 2014

Blindex-me


Quase transparente
Finjo ser estilhaço
Para perfurar-me
Num ser adentro
De brilho escuro
Que reflete-se só.

Se espelho alguém
Nestes meus cacos
Que cortam a alma
É porque reluz-me
Uma sombra nua
De todo eu vidrado.

sábado, 28 de junho de 2014

Intronauta's


Cabe
Afora
O ser
Todo
Num
Meu
Nada
Além.

domingo, 22 de junho de 2014

Poema de uma vida inteira


O amor continua sendo clichê
E o pior é que ainda funciona!
O amor é ainda senso comum
Todo e tudo estão sempre nele
Ou buscam ser só amor mesmo
Pois, nosso diferencial é o amar.

O que seria em si sem o amor?
Se a vida só se cabe ao amar?
Pois bem, é o amor e pronto!
Sem mais nem menos no caso,
Eis o amor que aqui nos existe
E faz do amar algo tão próprio.

Sendo o amor a melhor poesia
E o "eu te amo" o melhor verso
Digo o que sou porque eu amo,
Como poeta que de tanto amor
Escreve o mundo que já amou
E assim rima-se todo este amor.

sábado, 21 de junho de 2014

Dolores


Dolores teve lá seus amores
Dos senhores até os juniores.
Foste tu então sendo Dolores
Que de tantas dores - se fores
Com os teus odores nas flores.
Quem diria que pores Dolores
Nos penhores de tais temores
Deste lugar de cores e calores.
O que ouves pelos televisores
Só são horrores desta Dolores:
Sem valores, nem professores.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tesão


Tanto o que tento
Atendo ou atento
Entendo, estendo
E tampo o tempo
De tinta num tinto

Preferixos


E se luto por essa anarcopaz
Contra uma biomodernidade
É porque tal homodiferença
Vem sendo tão plurisingular
Ao ponto de ser meu antieu.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Memoriall


Com toda gente
Que há em mim
Nem sei se sou
Algo que existe
Ou uma prévia
De outro verso
Sobre tanto eu.

domingo, 15 de junho de 2014

Afta


De boca em boca
Vai-se um poema
E também o beijo:
Labiado em verso
Ou escrito afundo.

Ex/amplo


Vai que esse poema
Perceba seu pecado
Ao morrer-se eterno
Sem ser o que existe!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Li anja


Enquanto você - Lia
Essa sua obra - prima
Eu aprendia com você
A ser além do sangue
E a rimar sobrenomes
De parentesco poético
E versos tão familiares.
Nossos, quase irmãos
Doutras mães, e mãos
Que escreviam aí, afins
O quanto sou em mim
Graças a sua irmandade.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

TeSendo...


Num poema sobre nós
Emaranhado de outros
Amarram-se os corpos
Com novelo carnívoro
Numa linha tênue de si.
Enlaçamos este abraço
Que liga teu nó até mim
Sem afrouxar as rédeas
Deste tecer palavreado
Ao enforcar toda a fala.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Sintogma


Só queria qualquer substantivo para estar tão junto
Pois não quero ser este sujeito oculto do teu núcleo
Que se metaforiza em nominal para algo subjuntivo.
Talvez nossa vida seja apenas um outro predicativo
Onde conjugo cada ação sua em qualquer infinitivo
Em que eu possa ser oblíquo mesmo nesta métrica.
Mas por favor, não me chame por tantos pronomes
Nem mesmo venha com essa mania de adjetivar-se,
O que preciso é de alguém como um complemento
Mesmo com todas as antíteses, estejamos adjuntos.
É nessa dicotomia sintática entre corpos coloquiais
Que tudo fica hiperbólico e nem é cabível o léxico,
Ou talvez sinta/gma a falta do meu jeito pleonasmo
E que semanticamente isso signifique algo pra você.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Fóssil eu


Poesia bruta
E cavernosa
Como gruta
Ainda nossa.
Mão rústica
De tão verso
Faz a mística
Deste imerso.
Numa crítica
Onde inverso
Esta ginástica
Toda plástica
Em universo.

sábado, 7 de junho de 2014

Ex isto!


Sem excessos
E/ou exceções
Sem exemplos
Ou explicações
Meu expediente
Logo irá expirar
Com todo êxito
De ser existente.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Anest(pô)esia


Eu te amo calado
Sussurrando-nos
Com voz adentro
E de peito afundo
Silenciando afora
Qualquer timidez
Que fale por mim.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Versus


Poema em conflito: vs.(versus)
Poema ao contrário: in(verso)
Poema não apreciável: a(verso)
Poema de oposição: ad(verso)
Poema sendo mau: per(verso)
Poema duvidoso: contro(verso)
Poema obliquado: trans(verso)
Poema entre ambos: con(verso)
Poema no seu plural: di(verso)
Poema em um todo: uni(verso).

domingo, 1 de junho de 2014

In: Veja


Apagam-se as luzes dos olhos teus
Que se confundem junto aos meus
Ao ver tanta cegueira que só reluz
Nesta lágrima míope que se faz jus
De qualquer ver então microscópio.
Essa tua imagem misturada ao ópio
Nada mais é do que minha clareza
De enxergar com a escura certeza
Que você oculta qualquer miragem
Enquanto as pálpebras ainda agem.