quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Os calos quando calam



Meu poema veio até aqui
Com seus pés já inchados,
E de tanta palavra rasteira
Mal cabe em tais calçados,
Feitos à mão e carne-osso
Escondendo entre os dedos
O corroer das unhas e tempo.

Meu poema quando chega
Vem na lentidão desta vida,
Que pausa e lubrifica a pele
Com suor, saliva e lágrima,
Vai cicatrizando cada ferida
Até que não sobre mais de si
Uma memória sem lembranças.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Um ateu que olha para o céu


Sou o tipo de ateu que olha para o céu
E que contempla cada tipo de minúcia
Existente na minha vasta pequenitude.
Meus óculos são incapazes de chegar
Ao ponto mais longe desse imaginário
Que constrói histórias além do que sou.
É nesse minha condição de observador
Que meu ceticismo ganha outro molde:
O de prevalecer sobre as coisas óbvias.
Isso sempre me intrigou de tal forma,
Visto que não se têm muitas respostas
Acima de nossas cabeças problemáticas.
Pensamos demais, até onde era simples
Como redesenhar uma nuvem branca
Ou até mesmo, ao avistar um OVNI.
Parece loucura, mas acredito no céu
Nas possibilidades que podem surgir
Numa noite insone, numa manhã vaga
Onde olho para o alto e entendo pouco:
Afinal, o que creem os que não creem?