terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Duo-Só²
Uma dó de dor sem ter mera cor
Desata este nó de ser tão só
Repleto de vazio pelo avesso.
Acasala esse eu ainda disperso
Que caminha sem regresso
Do lar de onde tenta tanto sair,
Do lá que busca ao menos existir.
Aprochega perto desta longitude
A ânsia insalubre da solitude
De querer um afago vizinho,
Abriga este teu eu sozinho
Aprendiz em destinatário de carinho.
É o querer de um outro alguém
Com a licença dita por ninguém,
Duplicata soberba pré-assinada
Pelo apego de quem condiz ao nada.
Dotado é aquele de via singular
Que umedece o atrito de cada par
Ao bel-prazer no quesito particular.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Arca Caída
Ao que tudo indica no implícito,
Minha munição palavreada não possui
Um respectivo "público-alvo".
Habeas Corpus concebível a poética
Ela sim, com todo seu direito de ir e vir
Pisoteia minhas vértebras de (con)junções
Por mais esquelético que tal escrito seja.
Esta corcunda teme o peso das palavras
Pois o reclinar tende a sentir o dor(s)o de ser
Aquilo que des(d)enha tais lombadas
Em meio a tantos versículos semi-métricos.
Mesmo que o poeta de estômag(r)o vazio
Consiga digerir a sacarose da vida,
Ainda engole todos aqueles azedumes
Que migalham as so(m)bras de anti-ontem.


