quinta-feira, 29 de novembro de 2018

La Belle




Olhar a ti
E me vejo
Também.

Toco-lhe
O corpo
A alma
Que sai.

Num beijo
Tão calmo
Sem pressa
Para ontem.

Cada dia é:
Eternidade
E, sutileza
De quem é
Dois agora.

O amor surge
No inesperado
Momento que
O silêncio fala
Mais alto e ecoa.

Tudo diz sobre nós
Cada detalhe em si
Desde a intimidade
Até tais estranhezas.

O que seria do poeta
Quando o seu poema
Não consegue sentir?

Um simples gesto
De mãos próximas
Mesmo ao dedilhar
Uma tipo de escrita
Capaz de prolongar.

Um verso no seu cabelo
Os cachos que se fazem
No redemoinho da ideia
Em pensar o quanto tu és
A bela que junta em mim.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Do poema para ser secreto


Lá se vinha
Um coração
Tão fechado,
Mal queria
Sentir algo.

Com o tempo
Desaprendera
O que era Ser -
Alguém no outro
E dizia em silêncio:
O amor se esqueceu!

Desmemorizando 
Qualquer cicatriz
Ou lágrima árida
Que afeiçoa a face -
Tímida e ressentida
De tanto ser poema.

Cada detalhe versava
Sobre o que os poetas
Sabem ao desconhecer:
O Amor - o dito e cujo
Presente nas entrelinhas.

Vale ressaltar a dificuldade
Para se escrever sobre algo
Que vivenciara como dor.
Se os corpos aprisionados
Não permitem que entrem:
Tal amor, sempre na espreita. 

E foi assim que se rompeu tudo:
A dureza dos corpos desfigurados
De tanta pancada, de tanto passado...
O amor surgiu-lhe como uma chance!
De fazer desta, uma eternidade efêmera.

Seria um bom motivo para comemorar -
Os olhos que tanto veem e agora fixam:
No rosto que admira e se espelha adentro
É ali que vemos o porquê do amor chegar
Tão perto, tão despercebido nas multidões
E dizer muito sobre nós, mesmo em segredo.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Grã-nada


Se eu escrevo
Me escravizo,
Numa palavra
Em migalhas.

Um grão diz
O tão de ser:
Sou humano
Logo, inexisto.

sábado, 1 de setembro de 2018

Poema de amor não dói...


Poema de amor não dói
Mesmo escrito à lágrima.
O verso que se confunde
Na vastidão que lhe trai
Não é o mesmo que falta.

O beijo de outras épocas
Torna-se a palavra calada,
Sem qualquer insistência
Para que um dia seja tal.

Os poetas sofrem para ser
Aquilo que os outros são.
O ser humano nega em si
O afeto quando lhe aflige,
Apesar de que isso resulte
No que chamamos de arte.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Uma hora a gente parte


Uma hora a gente parte:

O pão dividido com alguém
Ou indo para outros mundos.

Uma hora a gente parte:

O coração de quem se gosta
Ou fica entre o bem e o mal.

Uma hora a gente parte:

E não olha mais para trás
Esquece o que já foi aqui.

Uma hora a gente parte:

Por mendigar sentimentos
Em busca de algo e alguém.

Uma hora a gente parte:

Pela nossa essência nômade
Ao ir sem saber onde de fato.

Uma hora a gente parte:

Voltando velhos caminhos
Neste novo, que se repete.

Uma hora a gente parte:

De tanta vergonha por si
Mal sustenta ficar os pés.

Uma hora a gente parte:

Mesmo sabendo da dor
Que surge na despedida.

Uma hora a gente parte:

Não por querer abandonar
Mas pela livre de ambos.

Uma hora a gente parte:

Que nem mais faz falta
Vamos dessa para uma
Melhor-pior e segue só.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A poesia silenciosa


É devagar
Que se faz
Um poema
Em silêncio.

Cada
Olhar
Surge
Como
Velho
Novo.

É devagar
Ao ponto
De parar
O verso.

Cada
Data
Não
Dita
Dói.

É devagar
Este poeta
Ao morrer
Subjetivo.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

In Memoriam ao Eu


Talvez isso me sirva
De poema na morte:
Pra que os próximos
Errem o amor triste
Numa poesia mista
Entre o dar e a dor
Que não se encerra,
Mas apenas adentra
O tal vazio repleto
De posterioridades
In Memoriam ao Eu.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sentimento sedimentar


De tijolo em tijolo
Fui construindo
Minhas costas.

A dor
E o peso
Delas em si
Mal me suportavam.

Abro-me
As vértebras
Uma coluna em espiral
Nessas articulações tão engessadas.

Todo trabalho
Num fardo carregado
Não é o mesmo que outros.

Ora, um grão
Outrora, tal existência
Ambas sacrificam o meu ser.

Este, de carne dura e ressecada
Que mal consegue balançar
O pó de cimento
Atrás de si.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Estrada estrita


Esses dias
Tropecei
Num tal:

Verso
No
Chão.

Machuquei
Tanto
Meus
Pés

E
Mãos

Que

Não consegui
Mais,

Caminhar
Nas linhas
Da escrita


Até
Acertar
Tanto
O passo

Do meu
Eu longínquo.

sábado, 9 de junho de 2018

Pessoalizando


E admito, já morri em tanta poesia
Que não sei mais quem sou de fato.
Talvez, num próximo verso sentido
Eu não esteja mais aqui - para tanto.
Viver se tornou uma justificativa vã
Parto-me e estilhaço pelo chão raso.
Mas meus versos continuam por aí:
Inertes a qualquer validade humana
Eternizados em tal existência falha
Que há em mim, poeta e postulado.

terça-feira, 5 de junho de 2018

AD-verbalista


Logo eu, que
Vivi, pouco
Amei, ontem
Beijei, devagar
Fui, adiante
Vi, tampouco
Senti, quase
Toquei, apenas
Chorei, longe
Morri, talvez.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Eu, expulso da minha própria poesia!


Eu fui expulso da poesia
Não não me quiseram lá
Tampouco, para escrever.
Não sou bem vindo e indo
Despejaram meu silêncio
E enxotaram meros versos
Jogaram-me numa sarjeta
Até que eu morresse mais.

Mesmo assim, saí receptivo
Fundei a Academia de Mim
De patrono, a minha solidão.
Recitada, ressentida no fim
Não parece muito para tais
Mas venho aderindo mérito
Com a maior crítica vigente:
Ser a minha existência afora.

sábado, 26 de maio de 2018

Meio meia, meia meio


Eis que, minha poesia meia-boca
Vai dizendo então, meias-palavras
Deste dito poeta, mais ou menos.
Assim, de lá para cá/aqui ou acolá
O que seria feito disso ou aquilo?
O porquê do porquê ao escrever?
Logo eu, tão malcuidado com tal
Vou rimando meus erros vérsicos
Ao ponto de não existir vírgula...