segunda-feira, 31 de março de 2014

Ambígulo


Eu me livro e lido
Canto pelos cantos
Enquanto encanto
Cálice toda a voz!
Até mudo ao calar
Ficamos nós cegos
Pois se rio lágrimas
Só cedo pela manhã.
Leve o peso de mim
E mata à flor da pele
É onde morro acima
Assim verão teu Sol.

domingo, 30 de março de 2014

Carnal(é)val!


Carnavai, carnavem...
E eu feriado de mim
Alegoria de ninguém
Heterônimo arlequim.
Eis a marchinha à ré!
O bloco mais carnal-
Val da folia já tímida
O corpo vira um jirau
De tanta musa íntima.
Lágrima e purpurina:
Embriagava um beijo.
Silêncio e serpentina:
Samba-enredo aleijo.
Num batuque adentro
Os tambores do peito
Rompem todo centro
Do coração rarefeito.
O amor vira adereço
Quesito dos solteiros
É ir-se sem endereço
Aos pedaços inteiros.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Morfeio


Eu
Ia
In:
Hi?
A-

À
Ti
Nu!
Lá.


Cê,

Se
-I
E...

-Is
Na-
Da!



Is,
Vi-


Em
Cá-

Tu!
Dó.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pessimesmo


Lembrei de esquecer
De te guardar lá fora
Onde não se há lugar
Pra quem já foi outro.

Eu que nem em mim
Concordei na dúvida
Em acertar tanto erro
De afastar mais perto.

Aqui você foi distante
E tão longe d'eu junto
Não sei se sou só nós
Duplamente sozinhos.

Muito menos mediano
Oferecendo todo nada
No valor de tudo nulo
Até tem - mas acabou.

sábado, 8 de março de 2014

Divagâncias...


Nasceu pra morrer
Sentiu-se pra doer
Ama todo amador
Fica todo "ficante"
Vai como amante
Vem como antes
Traz sua gestante
Leva sua estante
De coisas minhas
De causas nossas
Assim nos outros
Senão nos livros
Mal escritos até
Mau escrivão é?

quinta-feira, 6 de março de 2014

Eu posso ser poço


Eu carne adentro
Pelanca de ferida
Pancada na unha
Escrevo os ossos.

Eu silêncio afora
Idioma já morto
Barulho devagar
Ouvi com surdez.

Eu olhos a fundo
Um cílio postiço
Pupila quadrada
Vendo o escuro.

terça-feira, 4 de março de 2014

Contra o C - Contra o V


Nem todo poeta sabe
Nem todo verso cabe
Numa vida despedida
Numa morte nascida
Ou sou tudo que sai
Ou sei tudo que atrai
Tanto a cor de sumir
Tanto a dor de reunir
Essa frescura mais fã
Essa loucura mais sã
De-ver até nos olhos
De-ter até nós velhos
Na luta dentre forças
Na puta entre moças
Afim de amar outros
Enfim de amor atroz.

domingo, 2 de março de 2014

Pneumaníaco


Te sufoco em mim
Asfixio o que sinto
Assobio por dentro
Ar de cada suspiro
E ofega todo peito
Tuberculosamente
Gripei meu desejo
Nas asmas a esmo
Espirrando teu mal
Tossindo um beijo
No respirar de nós
Entre nossos tórax
Soprado ao mundo
Para fúria do vento.