terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
We Me
Me cego pra poder te ver
Até ouço teu pior silêncio
Embriago-me de lágrimas
Faço o sorriso mais triste
Para abocanhar um beijo
Mastigar a cor dos lábios
Que impregnam o batom
Na camisa de anteontem
Lavada no próprio corpo
Com o enxague de suor
Perfumando toda a carne
Na fricção das anatomias
Das ciências tão comuns
Dessas lógicas poéticas...
(E eu aqui, fingindo a nós
A lonjura entre os físicos
Ao namorarmos sozinhos
É cada um na sua solidão!)
Ponto final. Acabamo-nos.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Virgo,lá
E o orgasmo fica aqui dentro
Comigo, prazer encarcerado
Fechando todos e tais poros
Introspectivamente sexuais.
Minha malemolência parada
Nos prostíbulos mais íntimos
Destas timidezes de cabarés
Eu-líquido diluído em líbido.
Sou eu tão pétala de carne
À flor da pele que encravo
Na espinha de pus e sangue
Que já foi velha puberdade
Molestando tanta castidade
Que hoje excita neurônios.
Minha malemolência parada
Nos prostíbulos mais íntimos
Destas timidezes de cabarés
Eu-líquido diluído em líbido.
Sou eu tão pétala de carne
À flor da pele que encravo
Na espinha de pus e sangue
Que já foi velha puberdade
Molestando tanta castidade
Que hoje excita neurônios.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Poeminha científico...
E eu tão átomo
Nasci big-bang
Explodo calado
O meu nucléolo
No eu-científico
Um micro poeta
De macro verso
E cromos-somos
Nós membranas
Em partícula(res)
Anarco-nêutrons
Pseudo-elétrons
Próton e acabou.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Na-morada alu[g]ada
Um quartinho dentro de você
Alugando meus sentimentos
Na-morada de mim fora d'eu
Hospedo-me em cada abraço
É lá a casa que caso por acaso
Fico habitante pelos interiores
Anteriores ao passado nômade
De morar em peitos cubículos
Pois a carne sabe ser espelunca
Atraindo andarilhos de amores
Na sarjeta que é viver no outro.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Sof(r)ista ret(r)órica
Sem imortalizar versos
O eterno vem ao acaso
Seja eu o meu público!
Escondido no eu-lírico
Tão óbvio ser diferente
Ou dizer-se ser o então
Nada tende ao ter tudo
Não faço-me obrigado
Nem mesmo ao existir
Jamais fui tão objetivo
À não ser agora morto
Irei de onde nunca saí
Sempre aqui paralítico
Vulnerável a presença
Toda ela em suspeita
Destes outros em mim
E combate-se cada eu
Aí solto por meia face
Falseando essa mágoa
De errar tantos acertos
Que faz bela a tristeza
Ensaia quanta ausência
Em si para tão ninguém
Onde encontra-se falso
Resolve-se nos papiros
Vira-se em poema e só.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Miss*anga
Meu amor, acerte tua dor
Por favor, aceite uma flor
As pétalas de cada tempo
O fracasso que até tento
Não suma entre os olhos
Nem disfarce os atalhos
Vou-me embora no fim
Tudo amortece em mim
Como pancada adentro
Dum peito pouco centro
Sempre ao lado distante
Que foge a todo instante
Numa correria devagar
Saboreando um paladar
Da boca mais maleável
Ao ego tão vulnerável
De uma carne sozinha
A falta que é só minha
Existe porque esqueço
Vivo-me onde pereço
E acaba-se em começo.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Dor e/ou crônica
Amor compulsivo
Que anestesia-me
A dor e a crônica
De poetar laudos
Prescrever versos
Medicando almas.
Amor convulsivo
Que dói sendo só
Até nos epiléticos
De poesias débeis
E de chagas líricas
Escritas em coma.
Amor de curativo
Que sara sozinho
Receitando rimas
Por toda epidemia
De tanto esperar-te
Numa fila do SUS.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
-amônio
Antônimo de mim
Sinônimo de você
Anônimo célebre
Heterônimo igual
Pseudônimo real
Polinômio físico
Hormônio estéril
Neurônio errante
Patrimônio grátis
Matrimônio a sós
Ozônio pelo chão
Antônio nenhum
Demônio interior.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
De dentro pra mais fundo
Morro sempre de propósito
Vivo sem nenhum motivo
Acordo para ir ao pesadelo
É, lá fora já é meu inferno.
Dentro, sou lugar pra mim
Aqui aprendo-me a ser eu
Para que um outro alguém
Também ser interno, saia!
Entre nós, cada qual é só
No seu próprio eu singular
O plural de ninguém em si
Até estar consigo mesmo
Depois é a solidão alheia...









