segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Pro cis são
Fui-me embora sem levar eu
Foi-me uma morte atrasada
Fomos o que Deus quis ser
Fomos para onde não é lugar
Fumamos o último cigarro
Filmamos o fim dos olhos.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
domingo, 23 de agosto de 2015
Uma arapuca na cabeça
Todo poema é uma grande cilada
Engana-se quem pensa (ou sente)
Que a escrita tende a ingenuidade
De um fracasso contínuo da alma.
O poeta reverbera-se no seu erro
Sistematiza cada blasfêmia de si
Para que um dia pegue um leitor
Ainda desprevenido dessa áurea.
De fato, a palavra vive entocada
Numa armadilha quase invisível
Que nem mesmo suas entranhas
São capazes de afugentar tal dor.
É nesse sentido que o poeta surge
(Também) como uma mera presa:
Alguém vulnerável ao próprio Eu
Acuado pela próprio medo de ser
Algo, que não resulta outro nome.
sábado, 22 de agosto de 2015
Minúcias
Eu me permaneço:
Suporto cada amor
Como se fosse nós.
Escrevo um poema
Como se tudo fosse
Um intervalo de si,
Para que assim seja
Algo, interrompido.
Escrevo um poema
Como se tudo fosse
Um intervalo de si,
Para que assim seja
Algo, interrompido.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Amorroida
Meu bem, não se iluda
O amor é algo cerebral,
Essas coisas do coração
Só são formas de viver
Uma dor acompanhada.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Sub/liminar
(E o que era amor
Estava em silêncio)
Era assim que nós
Um e dos outros
Especulávamos
A problemática
De exteriorizar
Tal sentimento
Tão intrínseco
Que mal cabia
Num corpo só.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Vou-me embora pra Araguaína
Vou-me embora pra Araguaína
Porque lá o prefeito se acha rei
Com a cara toda bronzeada
Num centro de uma praça.
Vou-me embora pra Araguaína
Pois não me resta outro destino
Para ir de encontro com o rastro
Que deixo num poema sem verso.
Vou-me embora pra Araguaína
No intuito de viver novamente
Aquelas mesmas transpirações
De um dia mais quente e só
Noutro olhar ainda molhado.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Relê vou
Eu não deveria amar
Sob esta tal forma
Já quase integre
A outro verso
Dito por ti.
Digo:
O amor
Este meu
Que outrora
Foi posto fora
Para longe
Que nem
O sinto
Mais.
Foi-se:
Como um
Retrospecto
De tantas erros
Que não sei qual
Desamar por último.
Que não sei qual
Desamar por último.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
PIB: Poema Interno Bruto
Martelam-se as palavras
Como se todo papel fosse
Uma tábua já plana
Capaz de reter as feridas
Que sangram em outros calos.
O silêncio de uma pancada
Resulta num molde
Que lapida
Qualquer imperfeição
Vinda de um poema.
Duro
Simples
Direto
Mal-acabado.
Tanto verso é pouco
Para quem
Em meio aos fiapos
Digere o próximo texto
Com sua devida cara-de-pau.









