quinta-feira, 30 de abril de 2015

Versus araguainenses


Eu que nunca quis ser capital por fim
Nem mesmo ter o leito de outra praia
Ao ser banhada entre rios amarelados
Diante dessa gente parda que se perde
Num pôr do Sol que pinta as avenidas.
Convenhamos, o meu charme é outro:
Esconde-se na cara suada de cada um
Numa Cônego de tantas idas e vindas
Que só chegam a um lugar não-nosso
De Araguaína, cidade do meu interior.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Araguaína revisitada


Não! Não quero ser araguainense!
Eu nunca fui tão araguainense!

Não me venham com teorias mais críticas!
Nem mesmo com essas poucas definições!

Eu não sou araguainense e ponto final!
Como se de mim isso fosse necessário!

Sou apenas sozinho!
Um poeta sozinho!
Não quero está entre os outros!
Ai meu Deus! Os outros!
Poetas como eu!
Araguainenses!
Eles são!
Eu não!

Sou o que sou!
Não o que leem!
Escrevo sobre mim!
E não sobre Araguaína!
Apenas isso!

Então!

Não me venham com palavras!
Tampouco, perfeições!
O que faço é algo sozinho!
Exclusivamente sozinho!
É isso que sou!

Nada e de nada!
Mais um araguainense!
Que se nega!
Que se trumbica!

Num verso quente!
Numa alma molhada!
Sob o sabor do pequi!
Que trafega pelas narinas!
Até chegar no viés da carne!
Esta, noutro corpo de chambaril!

domingo, 26 de abril de 2015

Poema em linha (e)reta


Escrever é um risco
_______________

Vou lá e me arrisco
Num outro rabisco
Que nem sequer é
Um traço de mim.
_______________

sábado, 25 de abril de 2015

Ex cada um


Cada poema
                   É um degrau
                                      De ladeira abaixo
                                                                 Até chegar
                                                                                 Onde não se vê
                                                                                                        Quem ou o que
                                                                                                                               Se escreve
                                                                                                                                               Até Amém!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Destinartéria


O meu amor é de fato uma fronteira
Não se aproxima do próprio corpo
Nem mesmo viola qualquer amizade
Que preconiza sempre meu silêncio.

Nunca usei um verso sequer
Para conquistar uma mulher.
Ao meu ver, é uma covardia
Achar que a poesia me serve
Ou dizer que é minha autoria.

Sou criado através do que não sou
Um poema devidamente demasiado
Portanto, um exagero tão significativo
Amontoado em palavras pressupostas
Que nada dizem, quando apenas sinto.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O poeta mais feio


A minha magreza abrange um vazio
Um metro e oitenta que não condiz
Ao tamanho que é minha pequenez,

Distribuída em ossos que me doem
Ou nas feridas que só são retocadas
Sob um peito asmático de tanto ser,

Alguém que escreve suas cicatrizes
Num rosto oleoso e escondido de si
Para que não se olhe outras belezas,

Uma contemplação das fisionomias
Que não cabe em mim, corpo-morto.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sobre a sobra:


Nunca quis ser poeta
Mas me fizeram assim
Um adorno de cânones
Que jamais li em mim.
Quando falo de poesia
Não significa que sei
O valor de outro verso
Ou de quantos preciso
Para escrever portanto
Algo que seja encanto
Para meus sucessores.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pa-usar!


Eu
Em
Mim

Sou
Ser

Se

Um
De
Nós
For
Tão
A-
Fim.

domingo, 5 de abril de 2015

O meu medo da morte


Na verdade, o meu medo vem de viver
De atravessar uma rua sem saber aonde
Ou se meu direito de ir e vir é só balela.
É de tal dúvida que penso, logo, esqueço
Em mim são tantas vidas - dentro ou fora
Mas que não tem a certeza de quem serei
Na próxima manhã de uma segunda-feira
Um tédio sem fim quando eu poderia está
Dormindo, na sutileza que é então ensaiar
Minha morte, uma dor atrás da outra - fim.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Me tralha dor a ...


Brigamos pelo mesmo cigarro
Pelo mesmo copo de cerveja
Pelo mesmo lugar na mesa
Brigamos, só brigamos...
Então, briguemos!
Um pelo beijo do outro
Uma guerra entre os lábios
Lutemos então por este amor
De almas pugilistas
Vidas arruaçadas
Que brigam
Que choram
E se amam!
E como...
Nhac!
...
..
.

.
.
.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Intro e entro


Tanto que parece pouco
Quem junto de ninguém
O que sou já não lembro
Nem mais o que poderia
Ser ou morrer - toda vida
Um pequeno ato de nada.