quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Litera-dura


Bate uma
Poesia
Espessa
Exposta
No ponto
[G]ritante
Da alma.

Escorre
Retorce
As dobras
Entre dois
Silêncios
Efêmeros.

Tudo acaba
Num esporro
Internalizado
Pela dura vida
De ser líquido.

sábado, 27 de julho de 2019

Declínio de um poeta


Um verso
Me passou
Outra rasteira,
Derrubou-me
Sob tais papéis
E me fez sentir
Como num chão,
Em que a poesia
Se torna ligeiramente
Esta superfície tortuosa
Para os que veem do térreo
A vida perpassando no fundo do poço.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Entranhas nas entrelinhas


Desde que
O mundo
É mudo

Torno-me
Tal coisa

Pouco ser
Muito alheio

A qualquer ira
Escrita ou falada

Que dita as regras
Anárquicas

Do meu coração
Ainda sóbrio.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Cromos-somos


Martela-se a ideia:
Quando ser poeta?
Dúvida qual surge
Enquanto adentro
O oco de ressentir
Algo que já foi Eu
Agora, outro-novo
Numa versão beta
Da minha inibidez
Tão cromossômica.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A saudade é para tais apaixonados


A saudade é para
Tais apaixonados.

Pois

A espera sempre
Vira expectativa.

Logo

O amor também cura
Um vazio temporário.

E

Cria a esperança
Nesta existência.

De

Viver adentro
N'outro nó(s).

Que

Ajunta
A janta
A dois.

Para

Sentarmos
E sentir-se
Mais perto.

Do

Amor
Dado
Como
Longe.

Mas

Sempre
Presente
Quando
Lembra.

A

Tua falta
Tão feita
De afeto.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Rimoaldo


Olho como um cego
Oro como um cético,
Beijo ao ser virgem
Pulo numa vertigem,
Leio sem escrituras
No meio da abertura,
Ferida que não dói
À deriva que corrói,
A vida e sua morte
Que se dita na sorte.

domingo, 5 de maio de 2019

O poeta que não sou eu


A de se questionar
Se sou poeta ou algo
Do tipo que não sabe
Nem sequer tal poesia.

Para mim, poetas são
Os outros, que também
São os nossos, escritores
De vidas no percurso maior.

Que é chegar até a alma
Adentrar entre os espaços
Vazios, mas tão cheios de si,
A poesia eleva os desconhecidos
Tais e tantos como Eu: um não-poeta
Perdido no mundo que se cria e descobre.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Carne-poema


Pelo canto da boca torta
Segue assim, escorrendo
Outra palavra venenosa,
Saliva feita na tinta seca
Pronunciando o silêncio
Da garganta em declínio.

Cada sílaba é uma cilada
Peripécia da língua solta
Que engole alguma rima
E se (a)prende nas presas
Dilacerada, carne-poema.

quinta-feira, 21 de março de 2019

A individualidade dos poetas mortos (e vivos)


Minha criação é repetida
Algo novo feito de novo.
Se sou, há outros em mim
Melhores que eu, sozinho.
Não serei alguém na vida
Antes mesmo, de fale-ser.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O porquê do porque


De fato, já me disseram várias vezes:

- Poesia não leva para lugar nenhum!

Como se dela eu quisesse ir para algo

Como se de cada verso eu transitasse

Para longe, para mim, dentro d' outro.


Quero está aqui - e em qualquer parte

Que distancie meu passado da escrita!

Pois vivo uma efemeridade dos hojes

O quanto é fútil traduzir-me em rimas

Tão mesquinhas que se tornam óbvias

O insensato coração de quem esquece.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Open Poem


Duvido
Sempre
O que
Dizer
Num
Verso
Solto.

Nesta
Alma
Mal
Feita
Por
Mim.

Pouco
Surge
Para
Ser
Tal
Dor.

E assim
Reminto
Qualquer
Tentativa
Frustada
Quando
Sou

Eu.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

D'nós


Amo-te
Acerca
Dessas
Coisas
Nossas.

Olho-te
Quando
Não há
Sequer
Outros.

Lembro
De tudo
Que sei
Durante
O calar
E calor
Íntimo
Em sua
Beleza.

Dói-me
Tal falta
À espera
Delonga
Do beijo
Já eterno
Na alma.

Sinto
Você
Num
Lado
Dado
Aqui.

Logo
Todo
Tudo
Sobra
Tanto
D'nós
Junto.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Miss (You) Universe


Toda poesia é saudade
Da alma que se esvai
Num sopro do tempo,
Amança o bicho da dor
Que insurge nos poetas
Tal sentimento inacabado.

A falta é que completa:
Outro verso por fazer
Nesta fraqueza que é -
Viver, sem ter partida
Vencer a si sem nunca
Terminar aquilo que é.

(O poema acaba, e eu, também...)

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Simpl-isto


O poema se destina
A toda simplicidade
Que possa a vir ser.
Um verso pode estar
Onde menos se acha:
Na perdição da vida
Ou n'olhar da morte.
Que observa à risca
Quando dado poeta
Se entrega a escrita:
Tão natural sobre si
Mas mal eternizada
No complexo D'Eu.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Pescando versos


Tal profissão de ser poeta
Se aproxima do pescador,
Ambos, pescam suas artes
Para que sustentem a alma.

É como se cada palavra fosse uma isca
Para o próximo peixe-poema já graúdo,
O que necessita destreza e muita paciência
Para fisgar o próximo verso - tão profundo.

Já a analogia do rio funciona como um livro
Repleto dessas histórias para serem contadas,
Onde os proseadores tecem sua redes e rimas
Criando assim, uma narrativa fluída sobre si
E o mundo, que é ainda um mistério simples.