domingo, 29 de novembro de 2015

O esmiuçar de um poema


É em cada não-dito
Que realmente vivo
Tua presença imune.

Meu corpo (dilacerado)
Espera assim debruçar:
Uma folga doutra vida
Sustentada em volúpia.

Encostado na tua carne
Consigo prever a noite
Enquanto algo inquieto.

Embaraçam-se as dores
E tudo aquilo que passa
Num instante de euforia
Quando os pares surgem.

Entre as mãos dispersas
No sentir de cada parte -
Mapeamos nosso amor
Em detalhes intrínsecos
Para que só a gente, leia.

domingo, 22 de novembro de 2015

4 You


O que muda a partir de agora?
Se o amor sempre se manteve?
Num lugar que já foi sozinho
Doutra alma que se aproxima
Do instante esperado por nós.

O beijo ocorreu de forma veloz
Ferozmente, um roçar de lábios
Que atritava o sobrar das forças
Enfraqueceu o nó de tais línguas
E despiu toda palavra pela carne.

Apoderando o que lhe era estranho
Tua fronte debruçada no meu peito
Em cada palpitar cansado de sentir
Aquilo que já foi dor de tantas idas
Mas que sempre retoma algo em ti.