domingo, 30 de outubro de 2011

Sem remetente, sem destinatário



O hábito de receber cartas havia se perdido nessas redondezas
Tempos esses de seca aos aspirantes e inspirantes a sonhadores
Que tinham suas caixas postais vazias, mas cheias de esperança.
Tão mero seja aquele que tem o martírio do peso das palavras:
Eis então o carteiro - que tinha em si todas as poesias de gaveta.


Mas ele tinha uma garota aparentemente nula aos olhos alheios 
Que tinha como selo postal uma marca de batom rubi na boca
Um envelope perfumado em volta do corpo com outro aroma.
Até parece que logo ela encomendaria um amor tão extraviado
Duma incorrespondência que o carteiro entrega-se ao escrever.


Aquele pedido descompromissado teria então outro destinatário
De um admirador secreto que preferia ser anonimato do silêncio
Que talvez saísse daquela embalagem feita de timidez tão escrita.
Desempacotasse todos aqueles sentimentos num único endereço:
O coração dela, sem qualquer remetente ou mesmo destinatário.

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