sábado, 29 de junho de 2013
Vem Kafka comigo
A grafia só é grave
Quando os dedos murcham
Ao estalar dos neurônios
E o martelar dos crânios.
Quem dilacera de si por ti
Tende falecer no sorriso
Mesmo tímido, é íntimo aqui
No abocanhar do mundo.
Sou moradia de mim mesmo
Estadia do próximo alguém
De vagas vagarosas
À espera, à espreita.
Vasto seja o que desconheço
Não confio mais no hoje
O amanhã virou dúvida
No passado que adormece.
Gentileza sua ir embora
Sem exigir um adeus
É assim e somente
Despedaça o muito que resta.
Nesse conflitar dos corpos
Que satisfaço o pior
Entre ambos, desde antes
O que nos implica.
Um beijo de lábios trêmulos
Foi cessado quando foi aceso
Na vaziez da multidão
Em êxito no fracassar da vida.
Pois recaio nas perdas válidas
Mesmo de custos falhos
Distanciados pelo atrito do prazer,
Estar junto é reconhecer-se só
Afrouxar as mãos dadas
E acenar com a palma de despedida.


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