domingo, 23 de agosto de 2015
Uma arapuca na cabeça
Todo poema é uma grande cilada
Engana-se quem pensa (ou sente)
Que a escrita tende a ingenuidade
De um fracasso contínuo da alma.
O poeta reverbera-se no seu erro
Sistematiza cada blasfêmia de si
Para que um dia pegue um leitor
Ainda desprevenido dessa áurea.
De fato, a palavra vive entocada
Numa armadilha quase invisível
Que nem mesmo suas entranhas
São capazes de afugentar tal dor.
É nesse sentido que o poeta surge
(Também) como uma mera presa:
Alguém vulnerável ao próprio Eu
Acuado pela próprio medo de ser
Algo, que não resulta outro nome.


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