quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Os calos quando calam
Meu poema veio até aqui
Com seus pés já inchados,
E de tanta palavra rasteira
Mal cabe em tais calçados,
Feitos à mão e carne-osso
Escondendo entre os dedos
O corroer das unhas e tempo.
Meu poema quando chega
Vem na lentidão desta vida,
Que pausa e lubrifica a pele
Com suor, saliva e lágrima,
Vai cicatrizando cada ferida
Até que não sobre mais de si
Uma memória sem lembranças.


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