
Queria ter inventado você nem que fosse por apenas um breve momento
Tal hiato criativo impede-me de criar musas de inspirações expiradas assim
Pois nada é tão formidável como ter uma vida supostamente imaginária,
Pena que tudo isso não passa de fermentação cerebral
Falta-me aquele ócio produtivo e aquelas ambiguidades que pertenceram a ti.
Queria ter sensualizado essas silhuetas para deslizar-me em tais curvas
Milimetricamente a todos seus ângulos retos e oblíquos que te compõem,
Bendito seja esse fruto proibido que pertence ao teu ventre
Que alimentara este pecado corrosivo para uma carne tão frágil como a minha.
Queria ter sonhado contigo novamente nem que fosse pela última vez
Reprisar todas aquelas peculiaridades e tudo aquilo que havia em nossa volta
Guardar todos esses pensamentos privados em poemas de gaveta
E finalmente ficar um pouco fora si para estar um pouco dentro de ti.

4 Estranharam:
Olha que os católicos não vão gostar!
Era essa a intenção.
Ahh se todos praticassem o ócio criativo teríamos mais tempo para àquelas conversas, que foram trocadas pelo capítulo final da novela.
De uma sensualidade que últimamente tem me sido tão raro e só encontrado em escritores ou já bem velhos ou já bem mortos.
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