domingo, 11 de agosto de 2013

Menos que nada


Era preciso se perder em si
Para a vida ganhar um sentido
Como se isso tivesse algum valor
Quando tudo vale menos que nada.

Não se vê o passado como antes
Nem mesmo o que viria depois
Por que isso traduz nossos medos
As vergonhas alheias presas em nós.

Aqui partimos sem querer chegar
É melhor ficar quieto onde tem barulho
Pois é assim que nos destacamos
Em meio a multidão que fica assim só.

O que resta de um todo pode ser vazio
Para quem almeja algum descarte por aí
Sem mesmo impedir seus predadores
De saciarem a dor que é a vida após a morte.

Crenças à parte, fica aqui meu relapso
Das lendas rezadas que ainda falecem
No passar das eras e nos passos do homem
Que suspeita ser algo ereto e alguém errôneo.

Pouco importa se não vou tão longe ou além
Do que vai no pranto e amolece no consolo
O pecado só veio porque tem seus adeptos
Mesmo na falta que fez acima do raso.

Um prato seco para os desjejuns que virão
Borbulha a náusea dos entes excomungados
Nem mesmo uma saudação os salva
Dos soluços que entalam um choro adiado
Que espreitam os cochichos do ali ao lado.

Um sopro abala o chocalho dos ouvidos
É voz que se faz no silêncio que mente
Conta piadas e gargalha alguns dentes
Mas não esconde o canino que rosna
Na boca profana que saliva o néctar
Dos beijos colados como velcros.

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